sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Recordar Charles Monroe Schultz, no dia do 65º aniversário da sua série Peanuts

Descobri a série Peanuts na minha infância e juventude, nas páginas do jornal "Diário de Lisboa", o jornal que entrava todas as tardes em casa. Por isso, recordar a minha infância passa também por recordar essa série.

Para além disso, iniciei-me na escrita através de um artigo publicado em Abril de 1973 que biografava Charles Schultz e que abaixo reproduzo, com ligeiros acertos e correcções, recordando o 65º aniversário da publicação da primeira tira dos Peanuts:


“A Banda Desenhada constitui um negócio razoável”, afirmou um dia Charles Monroe Schultz. “Você também pode ser razoavelmente inteligente, pois, se fosse mesmo inteligente estaria a fazer outra coisa. Você tem de desenhar razoavelmente bem, pois se desenhasse mesmo bem, seria um pintor . Você tem de escrever razoavelmente, pois, se escrevesse mesmo bem, estaria a escrever livros. Este trabalho é razoável para quem é uma pessoa razoável como eu”.

Charles Monroe Schultz nasceu em Mineápolis em 26 de Novembro de 1922.

Era um menino tímido, cheio de frustrações e fracassos e que na escola só se distinguia pelas más notas. O seu único consolo era desenhar e, quando o fazia, construía o seu próprio mundo. 

O seu sonho era conseguir vir a ser um dia um bom caricaturista e desenhar uma tira diária. 

No último ano de estudos os seus desenhos foram rejeitados do boletim dos finalistas do curso.

Com aquelas perspectivas não teve qualquer interesse em ingressar na universidade. Quase sem transição, viu-se com uma espingarda nas mãos: estava-se em 1943 e tinha 21 anos, e foi mandado para a Frente Europeia da Segunda Guerra.

Na única vez que esteve na frente de batalha descobriu que se tinha esquecido de carregar a metralhadora.

Após a guerra Schultz conseguiu um empego com letrista numa revista humorística. Depois tirou um curso de arte por correspondência, na sua cidade natal. Por essa altura casou-se com uma bela rapariga de olhos azuis chamada Joyce Helverson. Tiveram cinco filhos.

Em 1946 vendeu a sua primeira história em quadradinhos ao Saturday Evening Post e conseguiu uma colaboração irregular num dos diários locais de St. Paul, Minesota, o Pionner Press, com a série “Litle Folks”. Ao fim de um ano, num dia em que se esqueceu que era tímido, pediu uma colaboração diária. Foi despedido imediatamente.

Após ter visto a sua série a ser rejeitada noutros jornais e agências, ela foi adquirida em 1950 pela United Feature Syndicate, mas na condição, apesar dos protestos de Schultz, de  ser rebaptizada,  com o nome de Peanuts.

Os Peanuts foram publicados pela primeira vez em 2 de Outubro de 1950, passam agora 65 anos.

(a primeira tira da série Peanuts, editada em 2 de Outubro de 1950)

No primeiro mês da edição da série ganhou noventa dólares  e, alguns meses depois, fazia mil dólares por mês. No final da sua vida ganhava mais de mil dólares  por mês.

Em 1967 ganhou o prémio atribuído pela Academia Sueca de Banda Desenhada à melhor série.

Os Peanuts chegaram a ser publicados em mais de mil jornais nos Estados Unidos e noutros 70 países. Em Portugal foi o jornal “Diário de Lisboa” que divulgou nas suas páginas, diariamente, essa série, ao longo das décadas de 60 e 70 do século passado.

A série é hoje um grande negócio, aparecendo as suas personagens reproduzidas em discos, livros, bonecos, estampas, fatos, postais, material escolar e até em automóveis.

Charlie Brown, a principal personagem da série, serviu de tema a uma comédia musical no Broadway e a um filme a cores intitulado “Charlie e Snoopy” ( que foi estreado em Portugal no cinema Satélite em 6 de Dezembro de 1971), filme que foi classificado então, pelo crítico de cinema Lauro António, como o melhor filme de animação estreado em Portugal em 1971.

Schultz filmou também para a CBS sete programas de desenhos animados, de meia hora cada, com as suas célebres personagens  e que a RTP exibiu em Portugal em 1971. Esta foi apenas a primeira de muitas outras séries televisivas com os personagens dos Peanuts.

O realizador da maior parte da série de animação para a televisão, o único autorizado a fazê-lo foi o seu amigo, desde 1959,  Bill Melendez, falecido em 2008.

Também um dos primeiros módulos lunares do programa Apolo foi baptizado com o nome Snoopy, o simpático cão da série.

Os principais personagens da série são Charlie Brown, em parte autobiografando o Schultz da sua infância, Snoopy, que se baseou num cão da sua infância, o Spike, Lucy Van Pelt, Linus Van Pelt, Shroeder ( o pássaro amante de Beethoven), Sally Brown, Petty e Violet.

Na Europa surgiram várias revistas de Banda Desenhada que se inspiraram nos personagens da série, com Linus (Itália), Carlitos (Espanha) ou Charlie (França), esta última que esteve na origem do conhecido Charlie Hebdo .

Grande parte da série tem sido reeditada em edições de bolso e em álbuns de BD, um pouco por todo o mundo.

Afirmou Schultz, numa das suas muitas entrevistas que “as pessoas lêem uma porção de coisas naquelas histórias, mas, na verdade elas contam apenas as tolices que fiz quando era criança. Agora envergonho-me quando me dou conta de que milhões de pessoas de todo o mundo lêem, e também vêem  todas as tonturas que fiz quando era criança.”

Segundo Barnaby Conrad, Schultz sempre sentiu a perda do seu cão Spike e a perda da sua infância e conseguiu transmitir essa lembrança e profundo sentimento “em palavras e figuras que alcançaram quase todo o mundo. Existe  um pequeno Charlie Brown em todos nós, humanos…”.

Schultz viveu os últimos anos da sua vida perto da Califórnia, dividindo o seu tempo pelo golfe, pelo hóquei no gelo e pela Banda Desenhada.

Tendo-lhe sido diagnosticado um cancro em 1999, deixou de publicar a série nesse ano. A última tira dos Peanuts foi publicada em 14 de Dezembro de 1999.




Schultz faleceu no dia 12 d Fevereiro de 2000, tendo deixado uma última tira de despedida aos seus fãs que foi publicada no dia seguinte ao da sua morte.



Uma das histórias que Schultz preferia da série, e que resume muito do seu espírito, era uma em que os garotos da série olham uma formação de nuvens, Linus diz “aquela nuvem parece um pouco o perfil de Thomas Eakins, o pintos famoso. E aquela outra lemba-me o mapa das Honduras Britânicas. E aquele grupo mais além  parece o apredrejamento de Santo Estevão…posso ver o apóstolo Paulo de pé, um pouco para o lado”, ao que Lucy diz: “Hum…Muito bem. E você, Charlie, o que vê nessas nuvens”, ao que   Charlie responde: “Bem! Eu ía dizer que via um patinho e um cavalinho, mas mudei de ideias…”



(texto baseado num dos primeiros textos que escrevi na minha vida, publicado no fanzine Impulso nº 3, de Abril de 1973, quando tinha apenas 17 anos)


terça-feira, 29 de setembro de 2015

A COMICCON PORTUGAL VOLTA ESTE ANO À EXPONOR DE 4 a 6 de Dezembro


A Comiccon vai voltar a realizar-se este ano na Exponor, entre os dias 4 e 6 de Dezembro.
Do mundo da banda desenhada, já há vários artistas confirmados, entre eles Miguelanxo Prado, Juan Cavia e Tsuneo Sanda .

Entretanto a organização abriu  inscrições para o Voluntariado da Comic Con .

“Os interessados podem agora submeter as suas candidaturas, devendo indicar qual a área na qual desejam colaborar. Existem diversas áreas disponíveis, sendo as mesmas: Bilheteira, Produção, Guest Office, Comunicação, Gestão de Público, Cobertura Vídeo e Foto e apoio às restantes áreas do evento"

Os interessados podem saber mais sobre o processo e candidatura, bem comosobre outras notícias do evento,  no site oficial do COMICCON PORTUGAL

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Balanço da 12ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação de Luanda: Liberdade de expressão vinculada no festival de banda desenhada



Reproduzimos em baixo a notícia vinculada pela “Voz da América”, datada de 20 de Setembro último, onde se faz um balanço da 12ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação de Luanda, que teve lugar entre 21 e 28 de Agosto naquela cidade:

 “A liberdade de expressão foi mais uma vez sublinhada no recente 12º Festival Internacional de Banda desenhada e Animação que decorreu recentemente em Luanda.

“O festival decorreu no Centro Cultural Português e os irmãos Sousa, Lindomar e Olímpio estiveram mais uma vez à frente do festival.

“Os participantes assíduos foram testemunhas de como o Luanda Cartoon tem acompanhado o crescimento da banda desenhada e animação em Angola, fazendo deste encontro anual um momento fundamental de reencontro com o público e entre artistas.

“As temáticas apresentadas pelos cartoonistas foram diversas, desde a crítica social, a falta emprego, delinquência juvenil, brutalidade policial, prostituição, má governação, abuso de poder, multipartidarismo, zunga, futebol, recreação que encheram as telas expostas no Centro Cultural Português Camões.

“António Tomás Ana “Etona” Presidente da UNAP- União Nacional dos Artistas Plásticos queixou-se da censura política que tem havido no país em relação aos artistas.

“ Não precisamos oprimir ninguém a pensar”, disse

“Uma das novidades desta edição foi a participação feminina. Essa responsabilidade coube às jovens Ivana Teles e Luísa Francisco que esperam ter incentivado outras jovens a fazê-lo.

“Para o carácter internacional do festival foram convidados os artistas Pahé (Gabão), Paulo Monteiro (Portugal) e Jerémie Nsingui (RD Congo).

“A reprodução do cartaz desta 12ª edição do Luanda Cartoon foi feita pelo cartoonista angolano Carlos Alves.

“Num ano em que se celebra os 40 anos de Independência nacional, Carlos Alves expôs um cartoon sobre a celebração da independência e os valores nacionais”.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"Manga Now - Three Generations" - O Museu Britânico exibe uma exposição dedicada à Manga japonesa.


Foi inaugurada no início de Setembro, no British Museum, e vai poder ser visitada até 15 de Novembro, uma exposição sobre três autores japoneses de Manga, que representam outras tantas gerações daquele género literário e artístico.

A Manga, nome pelo qual é conhecida a Banda Desenhada japonesa ou, como agora de diz, a novela gráfica daquele país asiático, é muito popular na Europa.

Os três autores escolhidos para representar aquelas gerações foram Chiba Tetsuya ( nascido em 1939), Hoshino Yukinobo (n. em 1954) e Nakamura Hikaru (n. em 1984).

Chiba Tetsuya é um artista que se especializou nos temas desportivos, revelando grande apreço por modalidades muito populares entre os britânicos, como o golfe.



Hoshima Yukinobo dedica-se especialmente à ficção científica e publicou uma aventura passada no Museu Britânico, o mesmo que acolhe agora os seu trabalhos nesta exposição. A aventura referida intitula-se "Professor Murrakata´s British Museum Adventure" e foi publicada em 2011.



Nakumura Hikaru representa, por sua vez, a mais jovem geração da Manga, revelando um trabalho muito inovador e criativo.