terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Boas Festas aos Quadradinhos

Com o desejo de um Feliz Natal para todos os nossos leitores e seguidores, aqui deixamos uma selecção, sem nenhum critério especial, onde se misturam ilustrações, pranchas, capas de revistas e de albuns, que têm em comum a Banda desenhada, os seus heróis e o tema do Natal.





























































segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Uma sugestão de Natal :"Natal dos Caretos" de Bragança em banda desenhada


“Natal dos Caretos” é a obra de Banda Desenhada lançada no passado dia 4 de Dezembro em Bragança, um conto de Natal que tem os célebres Caretos, máscaras tradicionais do norte do país, como tema.

O autor do argumento é António Tiza, estudioso desses ritos transmontanos, que contou com o ilustrador da região José Fonte para adaptar a história ao formato de Banda Desenhada.

Em declarações à Lusa António Tiza  explicou que, sendo “um conto, é ficção (…) porém "é uma ficção baseada numa realidade muito viva e muito atuante agora mesmo, que são as tradições das Festas dos Rapazes, que acontecem no período que decorre entre o Natal e os Reis".

“O chamado "ciclo dos 12 dias" está localizado nas aldeias da Baixa Lombada do concelho de Bragança, nomeadamente Varge, Aveleda, Rio de Onor e Baçal, onde os mascarados e endiabrados Caretos são os protagonistas por estes dias das Festas dos Rapazes.

“Motivar as crianças e os jovens a que participem, quando chegar a sua idade, nestas tradições, é o propósito deste trabalho, como sublinhou António Tiza.

"Qualquer jovem pode ler esta história e ao lê-la que se sinta motivado a participar d e uma forma mais consciente e mais dinâmica nestas celebrações festivas", enfatizou.

“Embora o livro se destine a todas as idades, ao escolher a Banda Desenhada para este conto, o autor acredita também que "as crianças sentem-se mais aliciadas à leitura" e este é um objetivo: "motivar as crianças, os adolescentes e os jovens à leitura".

“Esta foi também uma das razões que levou o ilustrador José da Fonte a aceitar o desafio que lhe foi lançado para este trabalho.

"Os jovens têm muita dificuldade em ler, as novas tecnologias afastam-nos um bocado da leitura, como do texto, e decidimos fazer um trabalho de forma que comunicasse num estilo suave, com ritmo, variações de cores".

“O ilustrador cresceu com estas tradições de Natal e está entusiasmado com a perspetiva de que as crianças e quem está ausente possa ver "esta parte dos Caretos como lúdica e uma parte cultural muito importante" desta região.

“O autor do conto, António Tiza, espera que este não seja o último livro que escreve para este efeito e conta com a colaboração do desenhador José da Fonte.


“Esta primeira edição tem disponíveis 500 exemplares, da Lema d` Origem Editora, à venda em Bragança”.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

“A Vida Oculta de Fernando Pessoa” – A BD continua a homenagear Pessoa


Em post anterior já aqui divulgámos a transformação de Fernando Pessoa em personagem de Banda Desenhada, “As Aventuras de Fernando Pessoa, escritor universal…” de Miguel Moreira e Catarina Verde.

Quase ao mesmo tempo foi também editado, em  simultâneo  em Portugal e no Brasil , “A Vida Oculta de Fernando Pessoa” de Alexandre Leoni, ilustrador brasileiro, e André Morgado, argumentista português.

A obra foi lançada primeiro no Brasil, na 11ª edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto, nordeste do Brasil), que este ano homenageou Fernando Pessoa, e depois em  Portugal, por ocasião da última edição do Comicon, no principio deste mês.

Foi também aí que, pela primeira vez, os dois autores se conheceram pessoalmente, já que a obra foi feita através de skype e do Facebook.

Escrita em Portugal e ilustrada no Brasil, esta obra começou “por ser um projeto em crowdfunding mas uma editora do outro lado do atlântico gostou tanto da ideia que acabou por comprá-la” revela a jornalista Joana Sousa Dias, acrescentando que "A Vida Oculta de Fernando Pessoa" é uma banda desenhada que conta de forma alternativa parte da vida e obra do poeta.

“(…)Tal como se pode ler na página oficial, convida o leitor "a conhecer factos históricos reais, desde o seu nascimento, articulando-os com um mundo sobrenatural, idealizado pelos autores.

“Nesta história, Fernando Pessoa pertence a uma Sociedade Secreta que tem como objetivo salvar a sociedade portuguesa de um mal. Porém, essas obrigações forçam-no a tomar decisões difíceis que darão origem à sua afamada heteronímia."

André Morgado, o argumentista, tem 27 anos e Alexandre Leoni, o ilustrador, tem 26, e nunca se tinham visto na vida antes de se encontrarem no lançamento do livro no Brasil.

André Morgado considera-se " fascinado pelo Pessoa desde sempre. Como é que um homem só conseguia escrever por dezenas?", questiona-se, numa conversa com o Diário de Notícias.

Natural de Freineda, distrito da Guarda, e residente em Setúbal, André Morgado conta como lhe surgiu a idéia para esta BD: "um dia, em conversa com uns miúdos mais novos, ouvi-os dizer que Pessoa, um dos meus ídolos, era uma seca e percebi que eles não sabiam nada dele, fez-se um clique e decidi começar este projeto para fazer chegar o poeta a outros públicos."

A “Vida Oculta de Fernado Pessoa” é mais uma prova das potencialidades da Banda Desenhada e da inesgotável criatividade dos seus autores.

(podem ver mais em baixo o video de apresentação da obra, feito por André Morgado)









quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A vida e a obra de Pessoa em Banda Desenhada


Acaba de ser lançada a vida e a obra de Pessoa em Banda Desenhada, num álbum intitulado "As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal", da autoria de Miguel Moreira e Catarina Verde.

Essa obra, que nasceu de uma edição em blog,  levou dez anos a ser concluída, beneficiou de uma bolsa que lhe foi atribuída por Rui Tavares, antigo deputado do Parlamento Europeu e actual líder do "Livre" e que resolveu aplicar parte do seu ordenado como deputado a apoiar vários projectos de investigação e criação artística.

Não sendo esta  a primeira vez que Fernando Pessoa e a sua obra servem de mote à criatividade no mundo da banda desenhada,  Miguel Moreira explica a idéia de transformar Fernando Pessoa em herói de Banda Desenhada:


“Procurando bem, descobre-se que tudo já foi mais ou menos feito em banda desenhada desde o dia em que Johann Wolfgang von Goethe apreciou os primeiros manuscritos de Rodolphe Töpffer e incentivou-o a publicá-los, considerando a novidade como um género cheio de potencial.

“Infelizmente, e ao contrário do que aconteceu com o cinema, a banda desenhada continuou durante tempo demais a ser considerada como uma mera forma de entretenimento, cuja popularidade foi entretanto decrescendo. As diluídas noções de autoria e de responsabilidade autoral foram no entanto produzindo os seus efeitos, contribuindo para o apuramento formal do meio e, em alguns casos, para a pertinência temática de certas obras.

“Um dos obstáculos que dificulta ainda hoje uma digna elaboração artística da literatura desenhada e uma adequada recepção crítica da mesma por parte da generalidade dos eventuais ou potenciais leitores é a primazia de que têm beneficiado, não os artífices, mas sim as personagens, no gosto do público. Quanto a isso, a culpa talvez seja do Ulisses…

“Fernando Pessoa, como se sabe, prestou-se ao culto iconográfico da sua pessoa, culto esse que teve resultados particularmente felizes na série de pinturas que António Costa Pinheiro lhe dedicou. É deveras difícil não ficar interessado pelo semblante desse transeunte lisboeta que viveu no longínquo e vago início do século XX português, cuja reputação de génio literário incompreendido e ignorado em vida se ficou a dever à obra que guardara diligentemente num arca, e ao facto de grande parte dela não ser da sua autoria mas antes de uma série de personalidades sem existência real, excepto aquela que os papéis atestam.

“Devo no entanto admitir que fui resistindo a esses encantos até à minha entrada na idade adulta, tendo chegado, no desenvolvimento de uma desassossegada vocação artística (como convém que seja toda a vocação artística, seguindo os melhores exemplos), a um ponto em que se tornara urgente passar “dateoria à prática”. Percebo agora que essa demora deveu-se a uma íntima e inconsciente convicção: no meu caso concreto, a melhor teoria seria aquela que sucede à prática, e não o contrário.

“Durante essa tomada de consciência, a ideia de transformar o Fernando Pessoa numa personagem de BD parecera-me interessante, mas a dúvida estava em saber que história contar. A minha resistência ao fascínio pessoano estava prestes a ceder. Após a leitura do texto “António Botto e o Ideal Estético em Portugal”, publicado em 1922 e cujo tema é a criação artística, percebi finalmente que a única história digna de ser contada seria a da personagem real.

“Aquela que nascera em 1888 e morrera em 1935, entenda-se. Pareceu-me contudo, numa fase inicial da concepção da biografia em banda desenhada cujo título e primeira meia-página encimam este breve escrito, que outra das personagens do complexo e ambíguo universo pessoano poderia merecer uma atenção especial e diferente – uma atenção “outra”. Resolvi imaginar um dia na vida do apagado e postumamente célebre empregado de escritório da Rua dos Douradores e apresentá-lo sob a forma de um “livro dentro do livro”, inserindo-o cronologicamente no decorrer da história maior (que veio a ter, na sua forma final, 166 páginas). É esse o segmento que se apresenta aqui; o seu título é: “AsAventuras de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa…”.


“O que distingue principalmente este episódio do resto da história é o facto de não ter palavras. Salienta-se assim uma das características essenciais da literatura desenhada: a capacidade expressiva das suas sequências “silenciosas” de imagens; e preserva-se outra: a banda-desenhada não é “literatura truncada e ilustrada”. Fico contente por ter evitado esse erro. Baseando-me nos textos do “Livro do Desassossego” tardio, onde o seu autor é definido pelo seu meio ambiente, aproveitei, de acordo com o meu propósito, os elementos visuais mais sugestivos assim como as acções passíveis de serem representadas, e compreendidas sem o apoio dos textos originais. A cor destas dez páginas (com capa e contracapa próprias), e de toda a BD, é da responsabilidade da minha colaboradora, a Catarina Verdier”.