sábado, 15 de outubro de 2016
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Dylan, a Banda Desenhada e o Nobel da Literatura.
A atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao contributo poético da
obra musical de Bob Dylan parece romper com velhos preconceitos que ainda
existem nas elites da cultura literária.
De facto, a ruptura, que
representa a atribuição do Nobel da Literatura à obra de Bob Dylan, abre novos
mundo e uma nova era no entendimento que se tem ainda do que pode ou não ser
considerado literatura.
Em relação ao contributo literário da musica, através do conteúdo das
canções, já tinha sido realçado por estudioso da cultura popular e dos “mass
media”,como Marshall McLuhan na década de 70, que afirmou que "a grande
poesia da nossa época é o rock. As palavras são tão importantes como o ritmo.
Nunca se assistiu a um tal renascimento poético desde Homero. É o regresso dos
bardos de antes da escrita, da época oral".
Ao fim de quase 50 anos a “academia” percebeu finalmente McLuhan.
Convém, por outro lado, recordar que o mesmo Marshall McLuhan,
acompanhado entre outros por Umberto Eco, refelectiu, igualmente, sobre a
importância e o valor cultural da Banda Desenhada.
Com esta atitude inédita da academia que atribui o Prémio Nobel parece
que, finalmente, os tempos estão a mudar e, temos a esperança, chegará o dia,
talvez já próximo, em que as qualidades literárias da Banda Desenhada, hoje
também já classificada como “novela gráfica”, venha a merecer a mesma atenção,
a mesma que já vai merecendo em universidades e em museus.
Tenho esperança que, ainda durante a minha vida, se venha assistir à
atribuição do Prémio Nobel da Literatura a um autor de Banda Desenhada. O
difícil é escolher.
Até lá, aqui revelamos um interessante projecto de Banda Desenhada que
alia a qualidade poética das canções de Dylan com a criatividade da Banda
Desenhada.
Intiula-se essa obra “Bob Dylan Revisited”, onde 13 canções de Dylan
são “revisitadas por 13 desenhadores.
A obra foi lançada em 5 de Novembro de 2008 e parte do resultado pode
ser visto AQUI.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Lucky Luke faz hoje 70 anos
O nascimento de Lucky Luke não é consensual. Ao que parece terá surgido
pela primeira vez na edição de 10 de Outubro de 1946 na edição francesa da
revista Spirou, mas a maior parte das informações indicam que foi nas páginas de “L’Almanach Spirou 1947”,
colocado à venda em 14 de Novembro de 1946, que surgiu pela primeira vez o
célebre cowboy, numa curta aventura. É no ano seguinte que se inicia a
publicação, na revista Spirou, da primeira aventura longa de Lucky Luke, “A
Mina de ouro de Dick Digger”.
O seu criador foi Morris pseudónimo de Maurice De Bevere, nascido no
dia 1 de Dezembro de 1923 na pequena localidade belga de Courtrai . Ele queria
ser advogado, mas em 1944 apaixonou-se pelo desenho humorístico e abandonou os
estudos de direito para tirar um curso de desenho de animação por
correspondência. Iniciou-se profissionalmente no cinema de animação aos 20
anos, na Compagnie Belge d’Actualités e conheceu posteriormente Franquin, Paape
e Peyo. Como o cinema de animação lhe rendia pouco, aceitou começar a colaborar
na revista Spirou , onde criou o célebre cowboy Lucky Luke em 1946.
A sua paixão pelo Oeste americano levou-o ao México e aos Estado Unidos
em 1949, na companhia de Franquin e Jijé. Ficou pelos Estado Unidos por seis
anos para estudar desenho, aproveitando para recolher uma vasta documentação
sobre o velho oeste. Foi nesse pais que conheceu Goscinny, o célebre
argumentista de Astérix e que, a partir de 1955, se torna o argumentista de
Lucky Luke até 1977, ano do falecimento de Goscinny.
(Goscinny e Morris)
Em 1968, juntamente com Goscinny, Morris muda-se para revista Pilote,
onde continua a publicar a série Lucky Luke.
Morris faleceu em 16 de Julho de 2001, saindo poucos meses depois, a
título póstumo, o 71º álbum da série, “A Lenda do Oeste”.
Ao contrário de outros heróis, que “morreram” com o autor, Lucky Luke
continua as suas aventuras.
Entre o real e o imaginário, a série imortalizou diversas personagens,
quase tão famosas como o herói principal, tais como os célebres irmãos Dalton,
Jesse James, Billy the Kid, baseados em figuras reais do velho oeste, ou o
célebre cavalo Jolly Jumper, companheiro inseparável do herói, ou o cão
Rantanplan, que apareceu pela primeira vez em 1960 e ao qual Morris deu série
própria a partir de 1987.
O 70º aniversário da série tem sido palco de várias iniciativas este
ano, nomeadamente uma grande exposição retrospectiva em Angoulême, inaugurada
em Janeiro e que encerrou no passado 2 de Outubro e a edição, em Dezembro
último, do livro L’Art de Morris.
Ao longo do ano quase todas as grandes manifestações e festivais de
Banda Desenhada consagraram uma parte importante da sua programação à evocação
da data, o mesmo se anunciando para a próxima edição do AmadoraBD que terá
início no final deste mês.
A série tem sido alvo de várias reedições, alguma incluindo inéditos, e
o “Le Journal de Spirou” vai editar um número especial no final do ano dedicado
a Lucky Luke.
Já este ano foi publicado “L’Homme qui tua Lucky Luke”, uma homenagem
da autoria de Mathieu Bonhomme. Também em Janeiro de 2017 sairá outro álbum de
homenagem, que explora o universo do conhecido cowboy, “Jolly Jumper ne répond
plus”, de Guillaume Bouzard.
Entretanto, da série oficial, anuncia-se a publicação de uma nova
aventura de Lucky Luke, com edição prevista para 4 de Novembro, intitulada “La
Terre promise”, com desenhos de Achdé, o herdeiro da série, e argumento de Jul.
A aventura gira à volta de uma travessia de Lucky Luke pelo Oeste americano na
companhia de uma família judia.
sábado, 8 de outubro de 2016
27ª edição do AmadoraBD dedicado ao "tempo e espaço na BD" com Hergé, Pratt e Moebius
A Agência Lusa acaba de confirmar a realização da 27ª edição do AmadoraBD, que vai decorrer entre 21 de Outubro e 6 de Novembro.
O tema deste ano é dedicado ao "tempo e espaço na BD" e contará com obras de Hergé, Pratt
e Moebius, para além de uma retrospectiva de Lucky Luke.
Eis a notícia divulgada hoje por aquela agência de informação:
“Fonte da organização revelou à agência Lusa que a exposição central
"parte da premissa que a BD é o campo de experimentação sobre as noções de
espaço e de tempo". Para ilustrar essa premissa, os comissários partem da
obra de vários autores, em particular de Hergé, criador de Tintim, de Hugo
Pratt, autor do universo de Corto Maltese, e dos mundos fantasiosos de Jean
Giraud, conhecido também com Moebius.
“A exposição central estará no Fórum Luís de Camões, na Brandoa, que
tem sido a casa do AmadoraBD nos últimos anos. A 27ª. edição decorrerá de 21 de
outubro a 06 de novembro também noutros espaços da cidade.
“De acordo com o programa já divulgado, o AmadoraBD contará ainda com a
exposição "Zombie", que fará uma retrospetiva do trabalho criativo do
autor português Marco Mendes. O livro "Zombie" valeu-lhe em 2015 o
prémio do AmadoraBD de "melhor álbum português de banda desenhada".
“Em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, o AmadoraBD irá
associar-se ainda aos 70 anos da criação da personagem Lucky Luke, de Morris.
“O autor belga inventou em 1946 o 'cowboy' que dispara mais rápido que
a própria sombra - e toda uma galeria de personagens, como os irmãos Dalton e o
cão Rantanplan -, tendo sido o primeiro convidado internacional do AmadoraBD,
em 1990.
“Duas das vertentes mais concorridas do AmadoraBD são a apresentação de
livros e as sessões de autógrafos com autores de banda desenhada.
“Este ano estão confirmadas as presenças de António Altarriba e Kim,
autores da BD "A asa quebrada", os brasileiros Eloar Guazzelli Filho
e Marcelo Quintanilha, Tony Sandoval e os irmãos Gary e Warren Pleece.
“Os autores britânicos Hunt Emerson e Savage Pencil, assim como o
colecionador Glenn Bray também figuram entre os convidados.
“O AmadoraBD distingue ainda, em várias categorias, o melhor que se
publica na banda desenhada em Portugal, mas nos nomeados não foram ainda
divulgados.
“O festival é organizado pela câmara municipal da Amadora”.
(Fonte: LUSA).
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Hergé no "Grand Palais" , em Paris
O “Grand Palais” em Paris inaugurou no passado dia 28 de
Setembro uma grande exposição dedicada ao pai de TinTin, Hergé (o pseudónimo
criado por Georges Remi invertendo as iniciais do seu nome).
A exposição coincide com o 70º aniversário do lançamento da revista
Tintin, ao qual já AQUI nos referimos (acrescentando AQUI um site que permite
ler a colecção completa digitalizada).
Esta exposição, que é a segunda dedicada a um autor de BD
por essa centro de exposições , ( o outro foi Hugo Pratt) e a segunda grande exposição
dedicada a Hergé em Paris, dez anos depois da que lhe foi dedicada pelo Centro
Pompidou, não é “apenas” uma exposição sobre TinTin mas sobre o universo de
Hergé, nomeadamente a sua peixão pela pintura, quer como colecionador, quer
como “modelo” e ainda, faceta menos conhecida, como pintor, numa colaboração
com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, na Bélgica.
Patente ao público, até 15 de Janeiro do próximo ano, nesta
exposição, que ocupa 10 salas do Grand Palais, podemos acompanhar a vida de
Hergé e das personagens que criou, o seu processo de criação, os principais
momentos da sua vida, mas também a forma como o mundo da arte se inspirou em
Hergé, e a própria incursão do pai de TinTin nas artes plástica, através de uma
vasta documentação.
Foi nos anos 50 que Hergé se interessou pelas artes
plásticas, frequentando regularmente a Galeria de arte Carrefour em Bruxelas e
onde conheceu alguns importantes críticos de arte que o aconselharam na criação
de uma colecção pessoal, que incluiu obras de Jean Dubuffet, Tom Wesselman ou
Roy Lichtenstein, entre outros.
Numa das suas viagens a Nova Iorque, em 1972, Hergé conheceu
Andy Warhol, que voltou a reencontrar poucos anos depois em Bruxelas, por
ocasião de uma exposição dedicada a Warhol na Galeria B desta cidade. Deste
reencontro nasceu o projecto de realizar uma série de quatro retratos em
acrílico de Hergé, três dos quais seriam compradas pelo próprio Hergé para
oferecer com prenda de casamento à sua segunda mulher, Fanny Rodwell, a grande
musa do pai de TinTin, vinte e poucos anos mais nova que o desenhador belga .
O entusiasmo de Hergé pela pintura levou-o, em 1962 e 1963,
a frequentar as aulas do pintor Louis Van Lint, do que resultaram cerca de quarenta
telas, de estilo abstracto, muito inspiradas em Miró e Matisse, outros dois
artistas admirados por Hergé.
A última aventura de TinTin, uma história inacabada, devido
ao falecimento do auto em 3 de Março de 1983, “TinTin et l’Alpha-Art”, concilia
as duas paixões de Hergé: TinTin e a pintura.
É um pouco de tudo isso que a exposição do Grand Palais nos
revela.
(Fonte: Fotografias retiradas da internet, com várias origens)
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