terça-feira, 3 de janeiro de 2017
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Walt Disney morreu há 50 anos
Passam hoje 50 anos sobre a morte
de Walt Disney.
Aqui recordamos alguns aspectos
da vida e obra do conhecido realizador de cinema de animação, cujas personagens
passaram à banda desenhada, transcrevendo um conjunto de artigos publicados
pelo jornal brasileiro “Folha de S. Paulo” que lhe dedicou vários artigos na
sua edição de 4 de Dezembro de 2001, quando se comemorou o centenário de
Disney.
Esses artigos não esquecem os
aspectos mais controversos de Disney:
"Para Ler o Pato Donald" foi um dos maiores ataques ao
império Disney
Por ALCINO LEITE NETO
Se o século 20 foi americano, ele também foi o século de Walter Elias
Disney. O aumento progressivo do poder dos EUA sobre o mundo caminhou par a par
com a influência que o criador de Mickey exerceu sobre o
imaginário de gerações e gerações.
Amanhã, faz cem anos que Disney nasceu. A cultura de massa e a
indústria de entretenimento americanas lhe devem quase tudo. Ele fixou a forma
moderna e o modelo industrial dos desenhos animados. Desenvolveu como nunca se
tinha visto o marketing das histórias em quadrinhos.
Materializou a ficção em parques de divertimento construídos nos EUA e
na França. Inventou um império econômico baseado na fantasia, que rende hoje
cerca de US$ 20 bilhões por ano.
Contam que Stálin chorava ao ver "Bambi". Mas Disney foi, e
ainda é, um dos personagens americanos mais odiados pela esquerda. Tanto por
sua delação de esquerdistas em 1947, durante os processos da Comissão de
Atividades Antiamericanas, quanto por colocar suas criações a serviço do
"american way of life" e como propaganda da política dos EUA.
Um dos ataques mais fortes da esquerda ao império Disney foi feito pelo
belga Armand Mattelart e o chileno Ariel Dorfman em "Para Ler o Pato
Donald" (lançado no Brasil pela Paz e Terra). O livro foi escrito há
exatamente 30 anos, no Chile, durante o governo do socialista Salvador Allende.
Em 1973, um golpe liderado pelo general Augusto Pinochet depôs Allende.
Mattelart e Dorfman se exilaram, o livro foi banido do Chile, mas se
transformou em leitura obrigatória em vários países, inclusive o Brasil.
Mattelart e Dorfman examinavam como os personagens de Disney
reproduziam a lógica capitalista, onde o dinheiro e a acumulação tinham papel
predominante nas relações "interpessoais" entre os personagens, e
como as histórias promoviam o imperialismo americano, ao caracterizar os povos
estrangeiros como atrasados, tribalizados, ingênuos e/ou espertalhões. "O
livro era um panfleto. Mas a relação de dominação no mundo, entre centro e
periferia, tal como a examinamos, permanece válida", diz Mattelart, 65, na
entrevista abaixo, feita em Paris, onde ele vive.
Dorfman é hoje um famoso escritor e dramaturgo, autor de "A Morte
e a Donzela" (Paz e Terra), e "Terapia" (Objetiva), entre
outros. Mattelart tornou-se um prestigiado teórico de comunicação.
Estudou as novelas brasileiras em "O Carnaval das Imagens"
(com Michele
Mattelart, ed. Brasiliense) e dedicou-se a examinar os laços entre a
comunicação e o processo de mundialização econômica, em livros como
"Comunicação-Mundo" (Vozes) e "A Globalização da
Comunicação" (Edusc). Em janeiro, estará lançando no Brasil, pela Sulina,
"A História da Utopia Planetária".
Folha - Fazem 30 anos que o sr. publicou "Para Ler o Pato
Donald". O que ainda é válido no livro e o que precisaria ser revisto?
Armand Mattelart - "Para Ler o Pato Donald" é um livro de
circunstância. Era um panfleto, que escrevemos em condições muito particulares
no Chile, ou seja, quando já havia três anos da Unidade Popular, o regime de
Salvador Allende. Paralelamente à pesquisa de outros modelos de cultura de
massas, de revistas para crianças, jovens e mulheres, nós elaboramos uma
crítica dessa forma de expressão.
Pois bem, apesar disso, eu creio que há uma coisa que ainda é válida no
livro, que é o capítulo que fala sobre subdesenvolvidos e o bom selvagem. Ele
mostra como os patos saem da metrópole e chegam em países que se chamam, por
exemplo, Aztecland. São lugares que se pode identificar [no caso, o
México", mesmo se se trata de ficção. E, nestes países, os personagens
estabelecem sempre uma relação de dominação.
Justifica-se o roubo das riquezas porque o bom selvagem não sabe o
valor das coisas. A relação de dominação no mundo, entre centro e periferia,
tal como a examinamos no livro, permanece válida.
Folha - O sr. acha que nada mudou nestas relações desde os 70?
Mattelart - Elas evoluíram, digamos. O mundo hoje é multipolar. Mas o
que vemos em um período de guerra como agora? O problema hoje não é que a
relação de dominação tenha mudado, mas que os Estados Unidos sejam, como nas
palavras de Bill Clinton, a superpotência solitária. O que é surpreendente é
que haja uma história de violência, na Ásia ou na América Latina, desde a
década de 60, e que os americanos não tenham se tocado que a sua ação e
intervenção produzem danos a milhões de pessoas. Foi preciso um ataque ao país
para eles se perguntarem: por que nos odeiam tanto?
Folha - O sr. acredita que os americanos continuam tendo uma visão
fantasiosa dos povos estrangeiros, como nas histórias em quadrinhos de Disney?
Mattelart - Provavelmente, como grandes ingênuos. E hoje eles reagem
também como ingênuos, nesta espécie de roteiro de faroeste que é a cruzada
contra o jihad. Eles continuam não se dando conta que há um conjunto de povos
que foi explorado e que continua a sê-lo por um modelo de crescimento mundial
que deixa à margem 80% da população mundial. O que não quer dizer,
evidentemente, que se possa estar de acordo com esse tipo de atentado que tirou
a vida de mais de 5.000 pessoas em Nova York.
Folha - Mas os personagens de Disney não se tornaram ingênuos, se forem
comparados aos novos personagens infantis, mais violentos, ou aos videogames?
Mattelart - Sim. Creio que são personagens que foram muito marcados
pela história, mas o problema não está aí. O que importa é que o seu universo
se tornou um signo de reconhecimento mundial, no plano do imaginário infantil.
Disney é o primeiro produto transnacional para crianças. Os personagens parecem
ingênuos, hoje, mas isso não impede de ver o tipo de divertimento que eles
representam. Para muitas crianças, é um imaginário que se naturalizou, em nível
maciço.
Folha - A que o sr. atribui a longevidade dos personagens de Disney?
Mattelart - Digamos que eles se revificam e se revitalizam a cada vez
em outros suportes, como nos filmes e nos parques. Em Paris, a Eurodisney
costuma ter quase o dobro de visitantes que a Torre Eiffel e o Museu do Louvre.
Folha - O fascínio exercido pela cultura de massas é um fato
ideológico, psicológico ou religioso?
Mattelart - Os três ao mesmo tempo. Quando escrevemos "Para Ler o
Pato Donald", eram os produtos americanos que faziam os laços entre os
diferentes países, sobretudo na América Latina. Nos domingos à tarde, sempre
havia uma programação americana, de Disney inclusive. O que houve, contudo, foi
uma "alfabetização" do imaginário, como dizem os publicitários. Hoje,
tudo isso mudou. No Brasil, por exemplo, existe uma forte programação nacional.
E já entramos em outra fase. O que se prepara agora é a mercantilização da
educação. As universidades são mais e mais solicitadas pelas empresas. Se se
deixa as universidades se privatizarem progressivamente, é evidente que se
chegará também aos poucos à alienação da educação.
“ Desenhistas da Disney permaneceram anônimos “
por DIEGO ASSIS
Walt Disney pode ser o pai da idéia, mas, não fossem nomes como Ub
Iwerks, Carl Barks, Paul Murry, Floyd Gottfredson, entre dezenas de outros -dos
quais muito provavelmente você jamais ouviu falar-, nada disso teria saído, ou
melhor, ficado no papel.
Embora existam muitas versões lendárias para a criação do camundongo
mais famoso do império de Disney, entre elas a de que Walt teria se inspirado
em um antigo "companheiro de quarto" de seus dias em uma espelunca de
Kansas City, a mais realista delas conta que os primeiros esboços de Mickey
Mouse teriam sido realizados por um americano de ascendência holandesa chamado
Ubbe Iwerks.
Depois de ser passado para trás em um contrato nebuloso com a Universal
Pictures, em 1927, Disney perdeu os direitos sobre Oswald e resolveu se
concentrar mais na parte criativa e administrativa de seu estúdio, enquanto Iwerks e uma dezena de outros desenhistas tratavam de colocar
mãos à obra e preparar "Piloto" ("Plane Crazy"), o primeiro
dos curtas animados de Mickey.
No início da década de 30, Disney perderia seu braço direito. Iwerks deixou Mickey para apostar em suas próprias
criações.
Nessa época, Mickey fazia sua estréia nas tiras de jornal. Eram
desenhadas por Floyd Gottfredson, responsável por dar vida a personagens como
Pateta, Horácio e a vaca Clarabela.
Também o Pato Donald, que teve estréia animada em 1934, não foi
propriamente criação de Disney. É de Carl Barks a responsabilidade por
animações e tiras do personagem até 1966 e por dar a Donald a namorada
Margarida, os sobrinhos Zezinho, Huguinho e Luizinho e Tio Patinhas.
A popularização dos personagens de Disney ao redor do mundo fez com que
centenas de outros artistas juntassem-se ao time de responsáveis para dar
sequência às aventuras da turma do Mickey. Da próxima vez que vir um desenho
"de Disney", tente se lembrar disso.
“Biografia mostra Walt Disney como dedo-duro e informante do FBI”
Por SÉRGIO DÁVILA
Quando a Academia de Ciências Cinematográficas de Hollywood, o lar do
Oscar, abrir amanhã a sessão em homenagem ao centenário de nascimento de Walt
Disney (1901-1966), que acontece neste 5 de dezembro, apenas uma faceta de um
homem polêmico será lembrada.
A do criador do Mickey Mouse, o personagem infantil mais conhecido do
mundo, que revolucionou o cinema de animação com o longa "Branca de Neve e
os Sete Anões" (1937) e montou um império do entretenimento que perdura
até o dia de hoje. Os números não mentem: além de inaugurar um dos primeiros
parques temáticos do mundo, a Disneylândia, WD produziu 497 curtas, 21 longas
de animação e 56 longas (que renderam 29 Oscars), mais 330 horas do "Clube
do Mickey", 78 episódios de "Zorro" e outros programas.
Mas é o outro lado de "Papai Walt Disney" que parece encantar
as platéias cada vez mais. O do filho bastardo nascido de uma espanhola. O do
menino que vestia as roupas e maquiagens da mãe e viraria mais tarde
alcoólatra. O de racista, reacionário, informante secreto do FBI, simpatizante
do nazismo e dedo-duro dos colegas no macarthismo.
Está tudo lá, na biografia cuja versão em "paperback" chega
às lojas dos EUA em janeiro. É "Disney's World - A Biography" (O
Mundo de Disney - Uma Biografia), do britânico Leonard Mosely. No aspecto
ideológico, o livro avança muito pouco o que já estava em "Para Ler o Pato
Donald", bíblia da esquerda latino-americana dos anos 70, escrita por
Ariel Dorfman e Armand Mattelart.
E ignora completamente uma religião criada apenas para repudiar o
império Disney. É a Igreja do Não-Consumo, fundada há alguns anos em Nova York
pelo performático Bill Tallen. Semanalmente, ele encarna seu personagem mais
famoso, Reverendo Billy, que sai à rua para protestar.
Billy grita contra o consumo desenfreado e inconsequente dos
americanos, de preferência em frente à loja da Disney da Quinta Avenida.
Segundo a seita, cujo único mandamento é "Não comprarás",
Mickey Mouse é o anticristo, e seu boneco lidera as passeatas pendurado de
ponta-cabeça numa cruz.
"Disney também roubou nossa infância", disse Bill
Talen/Reverendo Billy há alguns meses à Folha. "Não temos memória de
quando aprendemos a andar, só sabemos como o Bambi aprendeu a andar e nos
emocionamos, e essa memória afetiva foi vendida por uma multinacional."
"Branca de Neve"
Nem tudo são polêmicas nos cem anos de Disney, no entanto. Há algumas
semanas, a empresa lançou nova versão em DVD e vídeo do clássico dos clássicos
em animação, o conto de fadas "Branca de Neve e os Sete Anões", como
já fez outras tantas vezes.
"São várias gerações se encantando com o desenho", diz o
folheto promocional do estúdio. É verdade. Desde que existe o videocassete e,
depois, o DVD, a Disney solta uma nova edição de "Branca", que fica
por um curto período no mercado. Depois, todas as cópias são recolhidas.
A estratégia deu certo de novo. Vendeu 1 milhão de exemplares só no
primeiro dia nos Estados Unidos -8 milhões de cópias até agora.
Assim, o desenho animado virou o segundo filme mais comprado em DVD e
VHS no mundo, atrás só de "Titanic".
Tradição oral germânica recolhida pelos irmãos Grimm no começo do
século 19, o conto de fadas foi a primeira animação de longa-metragem do
cinema.
Começou a ser urdida em 1934 e estreou três anos mais tarde. Também nos
últimos dias o estúdio lançou uma nova versão de "Dumbo", que faz 50
anos. Mas isso já é uma outra história...”
Cronologia da Vida de Disney
5 de dez.1901
Nasce, em Chicago (EUA), Walter Elias Disney filho de Elias e Flora
Disney.
1916
Começa a frequentar os cursos de desenho da Academia de Artes de
Chicago. No tempo livre, faz cartuns para o jornal da sua escola
1918
Aos 17 anos, inscreve-se como voluntário na Cruz Vermelha e torna-se
motorista de ambulância, em Paris. Ao mesmo tempo, trabalha criando pôsteres
para o Exército americano
1919
Consegue seu primeiro emprego como aprendiz de desenhista em um estúdio
publicitário de Kansas City, onde conhece Ub Iwerks. Assiste no cinema aos
primeiros desenhos do Gato Félix, de Pat Sullivan e Otto Messner
1920
Passa a trabalhar na Kansas City Film Ad Company, onde começa a
aprender as primeiras técnicas de animação
1922
Juntamente com outros artistas produz seu primeiro filme de animação,
"Chapéuzinho Vermelho" (Little Red Riding Hood). Funda, com o amigo e
desenhista Ub Iwerks, a "Laugh-O-Grams Films"
1923
Muda-se para Los Angeles para tentar a vida como diretor de cinema.
Produz uma série que misturava filme e desenhos batizada de "Alice na
Terra do Desenho Animado" (Alice in Cartoonland). Com a ajuda de seu irmão
Roy, funda a Disney Brothers Production, que mais tarde viria a se chamar The
Walt Disney Studio. Casa-se com Lillian Bounde, colorista de seu estúdio
1926
Disney e Iwerks criam a série do coelho Oswald (Oswald, the Lucky
Rabbit) a pedido da Universal Pictures. O trabalho duraria dois anos. Por ter
cedido os direitos autorais do personagem à Universal, Disney foi despedido.
Encerra seus trabalhos como desenhista propriamente
1928
Surge o Mickey Mouse. Desenhado por Ub Iwerks e dublado por Disney, o
personagem estréia no curta animado e sem som "Piloto" (Plane Crazy).
O primeiro desenho sonorizado foi "Mickey, o Navegador" (Steamboat
Willie). A produção marca ainda a estréia de Minnie, a eterna namorada de
Mickey
1930
Produz em Technicolor "Flowers and Trees", primeiro desenho
com cores, da série "Sinfonias Tolas". O King Features Syndicate
publica as primeiras tiras de Mickey, desenhadas por Floyd Gottfredson até
1975. Surgem novos personagens como Horácio, Ferdinando e a vaca Clarabela
1933
O personagem Pateta aparece pela primeira vez na revista "Mickey
Mouse Magazine #1", que trazia textos e tiras do universo Disney
1934
O Pato Donald aparece em "A Galinha Sábia" (The Wise Little
Hen). O sucesso do personagem se deveu principalmente ao trabalho do dublador
Clarence Nash. Nesse mesmo ano, as primeiras tiras diárias de Mickey são
publicadas no Brasil
1937
Depois de três anos de trabalho estréia "Branca de Neve e os Sete
Anões" (Snow White and the Seven Dwarfs), primeiro longa-metragem animado
da história. Pelo feito, Disney recebeu um oscar honorário da Academia
1940
Orçado em US$ 2 milhões, estréia "Fantasia", adaptação para
Mickey de "Aprendiz de Feiticeiro", de Paul Dukas. O longa animado
teve direção musical do maestro Leopold Stokówsky e contava com músicas de
Bach, Dukas, Tchaicovsky, Stravinsky, Beethoven, Ponchelli, Schubert e
Moussorgsky
1941
Walt Disney visita o Brasil, Chile, Argentina e Peru a pedido do
governo americano. No Rio, conhece o cartunista J. Carlos, que serviria de
inspiração para a criação de Zé Carioca
1943
Zé Carioca debuta em "Alô, Amigos" (Saludos Amigos), como o
cicerone do Pato Donald em uma visita do personagem ao Rio de Janeiro. O filme
foi responsável pela popularização de "Aquarela do Brasil" (Ari
Barroso) e "Tico-tico no Fubá" (Zequinha de Abreu) no exterior
1945
Ainda usando o material de suas viagens ao Brasil, Disney lança
"Você Já Foi à Bahia?" (The Three Caballeros), com participação de Zé
Carioca, Panchito e Pato Donald
1947
Carl Barks cria Patinhas, o tio milionário do Pato Donald
1950
A Editora Abril publica a primeira revista do Pato Donald no Brasil. A
revista trazia também as aventuras de Zé Carioca, que ganhou a companhia de personagens
como Rosinha e Nestor
1953
Depois de vinte e cinco anos é produzida o último desenho animado da série
de Mickey
1955
Estréia na TV americano de "Clube do Mickey", um dos
programas infantis de maior sucesso da história da televisão
1966
Morre Walt Disney, por complicações de um câncer no pulmão, no dia 15
de dezembro
1983
O camundongo volta a protagonizar um longa em "O Natal de Mickey"
(Mickey"s Christmas Carol)
1986
A personagem Margarida torna-se mais um título da Editora Abril. As
histórias, publicadas somente no Brasil, surpreendem pelo tom "feminista"
da namorada de Donald
1988
Mickey ressurge fazendo uma "ponta" em "Uma Cilada Para
Roger Rabbit", de Robert Zemeckis
1995
"Runaway Brain", primeiro curta de Mickey em 42 anos é
lançado
25 de ago.2000
O desenhista Carl Barks morre de câncer, aos 99 anos
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Morreu Golib, um dos mais irreverentes e inovadores autores de Banda Desenhada
A notícia foi esta manhã divulgada em Portugal pela agência Lusa:
“O autor de banda desenhada francês Marcel Gotlib, criador do cão
Gai-Luron, morreu hoje aos 82 anos, anunciou a editora Dargaud. "A família
comunicou que Marcel Gotlib morreu hoje", na sua casa, na região
parisiense, acrescentou a Dargaud, manifestando a sua "enorme
tristeza".
“Marcel Gottlieb, conhecido como Gotlib, lançou o cão Gai-Luron na
revista semanal Vaillant em 1962, e na revista Pilote, de René Goscinny, o
criador de Astérix, criou a Rubrique à Brac, em 1968, uma série de banda
desenhada excêntrica, de humor cáustico, de enorme êxito”.
Gotlib era uma dos mais criativos e irreverentes autores da BD
franco-belga.
Nasceu em Paris em 14 de Julho de 1934, filho de refugiados judeus
hungaros, e formou-se em desenho publicitário e, antes de se dedicar em
defenitivo à BD, ilustrou vários livros para crianças entre 1960 e 1961, usando
vários pseudónimos (Mar-Got, Garmo, Marclau).
A sua primeira BD foi uma adaptação de um romance da condessa de Ségur,
“Le General Dourakine.
É a partir de 1962 que o seu horizonte se alarga com a sua entrada para
a equipa da revista “Vaillant”, antepassada do “Pif Gadget”, onde cria o cão Gai-Luron.
Em 1971 cria com Jacues Lob o famoso “SuperDupont”, e nesta década sai
da revista “Pilote” , que então conhece alguma instabilidade, colaborando na
revista “Rock e Folk” com a série Hamster Jovil e, um ano depois, em 1972, com
Claire Bretécher e Nikita Mandryka, cria uma das mais irreverentes e revista de
BD, a trimestral “L’Echo des savanes”, que se publicou até 1982, da qual
acabará por sair em 1975 para fundar outros dos títulos marcantes da vanguarda
da BD, a revista “Fluide Glacial”, que se continua a editar (aceder AQUI ao
site oficial dessa revista).
Consagrando-se a partir daí quase exclusivamente à publicidade e à
reedição de obras suas, recebeu o Grande Prémio do Festival de Angoulême em
1991.
Em 2014, por ocasião do seu 80º aniversário, o Museu de Arte e História
do Judaismo, em Paris, realizou uma grande exposição retrospectiva sobre a obra
de Gotlib.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Recordando "Quim e Manecas", a famosa série de BD de Stuart de Carvlhais
Para quem não viu a reportagem da RTP 2 sobre a mais famosa série de BD portuguesa "Quim e Manecas", criada por Stuart Carvalhais, pode ler, clicando AQUI , a informação que o site da RTP disponibilizou sobre a famosa série criada em Janeiro de 1915.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Aos 86 José Ruy prepara lançamento de novo album
Aos 86 anos, José Ruy está a terminar mais um álbum e tem vários prontos a sair (Foto Pedro Catarino/CM)
O jornal Correio da Manhã publicou hoje uma excelente reportagem sobre José Ruy, o autor de BD portuguesa com mais álbuns editados e que, aos 86 anos, se prepara para lançar uma nova obra, desta vez dedicada a um episódio da história açoriana.Aqui transcrevemos essa reportagem da autoria de Vanessa Fidalgo:
José Ruy é o ilustrador português com mais álbuns editados: 81. Mais de
metade são de banda desenhada
Por Vanessa Fidalgo in Correio da Manhã de 21 de Novembro de 2016
"Começou a desenhar "garatujas" com quatro ou cinco anos. Mas foi a primeira edição do mítico jornal de banda desenhada ‘O Mosquito’, que entrou em casa de José Ruy pelas mãos do pai, que fez nascer repentinamente "aquele fascínio pelo contar histórias aos quadradinhos". Corria o ano de 1936 e José Ruy, o ilustrador português com maior número de álbuns publicados (81) e um dos maiores da banda desenhada nacional, tinha então apenas cinco anos e estava longe de adivinhar que aquilo era o seu futuro.
"O mítico jornal de banda desenhada custava então 50 centavos e os cinco
mil exemplares de tiragem, considerável para a altura, esgotaram-se
rapidamente. Tal como os números seguintes, que no auge chegaram a vender 80
mil exemplares e que marcaram a memória de várias gerações de adeptos da BD.
José Ruy incluía-se nesse naipe de seguidores, até que em 1945, com apenas 15
anos, ele próprio foi também desafiado a sentar-se nos estiradores de ‘O Mosquito’.
"Era preciso um rapaz para dar cor" e o então jovem aluno da António
Arroio não hesitou em sentar-se ao lado dos mestres António Cardoso Lopes
Júnior (conhecido por ‘Tiotónio’) e Raul Correia.
"Lá se iam os planos paternos para que cursasse arquitetura! "O meu
pai era da opinião de que o desenho e a pintura não davam nada. E efetivamente
não dão. Mas dão muito gozo a quem tem o privilégio de poder fazer deles
profissão", admite José Ruy, rodeado de esboços e recordações no seu
ateliê na Amadora, cidade que o viu nascer (bem como a ‘Tiotónio’) e que, por
causa deles, fez por se afirmar capital da BD. E com o início das colaborações
para ‘O Mosquito’ e mais tarde para ‘O Papagaio’ veio uma mesada extra para
comprar "melhor papel e tinta da china". Melhor do que aquela da
marca nacional, a Cisne, "que era cinzenta e não tinha opacidade e era
difícil de ser captada graficamente".
"Na António Arroio, onde foi discípulo do mestre Rodrigues Alves,
especializou-se em Artes Gráficas, que viriam a providenciar-lhe durante
décadas e décadas o sustento, ao mesmo tempo que em paralelo fazia banda
desenhada para jornais e revistas. Quando era menino exercitava furiosamente o
traço. "Fiz milhares de desenhos, de estudos, desde a anatomia dos animais
ao movimento das ondas do mar. Depois das aulas, ia para o jardim zoológico e
desenhava as feras. Cheguei a assistir ao parto de uma leoa e depois desenhei
todo o processo de crescimento de uma das crias. Isso permitiu-me ganhar uma
grande versatilidade e facilidade no desenho. Desenho tudo de uma forma muito
rápida, sem grandes dúvidas ou hesitações. Quase nunca apago." Essa
velocidade de produção ainda hoje, aos 86 anos, o acompanha. Continua a
desenhar muitas horas por dia e, seguramente, muito mais do que aquilo que consegue
editar.
"Também continua a sentir a urgência de acabar um desenho apertar-lhe o
peito, tal como quando era criança. "Vou gerindo a vida conforme os
desenhos. Se quero acabar um, almoço mais tarde. Eu então como primeiro, para
depois poder dedicar-me só a ele", confessa. Geralmente, é a mulher que
tem de lhe bater à porta do ateliê a lembrá-lo dessas coisas mundanas…
"Até porque o privilégio de se poder dedicar somente à banda desenhada
só chegou muitos anos de trabalho depois nas artes gráficas.
"Foi mais ou menos em meados dos anos 80, quando a Editorial
Notícias o desafiou a tempo inteiro." Quando começou a trabalhar para a
ASA, passou então a trabalhar no seu ateliê a partir de casa, cujas paredes não
deixam dúvidas quanto ao legado do homem que entre elas vive: estão forradas de
homenagem, caricaturas, dedicatórias, carinho e admiração.
"NA ERA DO PC
"Nos últimos tempos, José Ruy conheceu, com os computadores, uma
verdadeira revolução no seu trabalho. Primeiro, estranhou-os, mas depois
rendeu-se a eles.
"Eu era contra os computadores porque eliminavam postos de
trabalho. Na gráfica onde trabalho, por exemplo, a máquina de antes tinha
quatro pessoas para trabalhar, hoje precisa apenas de uma porque os corpos são
comandados por computador", começa por contar. Mas a filha lá o foi
convencendo de que o PC iria permitir-lhe fazer "um trabalho mais
limpo" e que, caso se enganasse, não teria de apagar tudo e começar do
início. Perfecionista e rigoroso como é – assim o descrevem os pares –, a
perspetiva de melhorar a qualidade do produto final convenceu-o: "Logo a
mim, que até ainda continuava a usar uma máquina de escrever Hermes Baby, que
era do meu pai. Mas a verdade é que, de cada vez que me engana, tinha de
rasurar. Ou se caía um pingo de tinta a mais", recorda.
"Agora, José Ruy faz os esboços a carvão, passa os originais a tinta da
china e depois digitaliza-os. "O computador permite-me ainda ampliar os
desenhos e fazer retoques ou detetar imperfeições que nos escapam no papel e
que na gráfica nunca corrigem, porque eles naturalmente têm medo de mexer no
desenho", explica. Finalmente, chega a parte de colorir, que antes era
feita a aguarela. José Ruy conseguiu dar a volta à tecnologia e formatá-la de
modo a usar a sua "paleta própria" de cores.
"Por outro lado, como faço muitas sessões em escolas, também me
facilitou a vida nas apresentações: antes levava as fases do meu trabalho em
diapositivos, hoje levo tudo em PowerPoint." E os miúdos adoram. E brindam
José Ruy com as mais inusitadas questões. "Um dos rapazitos, de nove anos
talvez, pergunta-me a propósito dos ‘Lusíadas’ porque é que ainda não
compreendia bem aquilo. Expliquei-lhe que era algo que ia passar conforme fosse
crescendo."
"Sinais que os tempos não perdoam. José Ruy viveu muitos ao longo da sua
carreira. Antes do 25 de Abril, por exemplo, tinha de ter muito cuidado.
"Tínhamos a censura dentro dos jornais e o nosso objetivo era que as
coisas não fossem cortadas. Portanto havia que ter cuidado. Lembro que uma vez,
numa história do Fernão Mendes Pinto, pintei-o como um rapaz imberbe, quando o
previsível seria que ao fim de tantos meses no mar tivesse uma longa barba. Só
que isso fazia lembrar muito os piratas norte-americanos… e não podia
ser!"
"Dos jornais de banda desenhada também já há muito que não há sinais.
"Passou-se para o livro de BD, o que é mau para os autores. Nos jornais
havia sempre os colaboradores de maior gabarito, os estrangeiros e, claro, os
iniciados, como eu também comecei por ser. As pessoas compravam pelos grandes
ou pelos que gostavam, mas ao mesmo tempo iam ficando a conhecer os novos. O
livro já não é assim. Se não se gosta ou não se conhece, não se compra. Até
porque é um investimento muito mais caro do que era um jornal", lamenta.
"SEMPRE A PRODUZIR
"Aos 86 anos, José Ruy não tem vontade de abrandar. Um dos seus mais
recentes livros foi a biografia em BD de Carolina Beatriz Ângelo, lançada na
última edição do festival de BD da Amadora, com o apoio do Conselho Regional do
Sul da Ordem dos Médicos. Mas em abono da verdade, a história começou a nascer
na ponta dos seus dedos há cinco anos, por sugestão da filha, Teresa Pinto,
membro da Comissão pela Igualdade do Género.
"Estava-se perto do centenário da sufragista, cirurgiã e a primeira
mulher a votar em Portugal. José Ruy investigou a sua vida para a poder fazer
renascer nos quadradinhos, mas não se livrou da sina da própria Beatriz Ângelo.
"O livro demorou cinco anos a ser publicado por falta de um apoio na
distribuição."
"Mas projetos não lhe faltam. Tem prontos a sair um livro sobre a Ordem
dos Templários, outro sobre as origens da cidade de Coimbra e está a terminar
uma obra sobre a forma heroica como os habitantes da ilha do Corvo venceram os
corsários com pedras de lava. Como usa sempre modelos vivos, viajou
recentemente para a ilha, para poder transpor para o papel rostos de verdade.
"Será mais um álbum a juntar aos outros 81 já no início de 2017. Mais um
para imortalizar o homem e o artista".
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