quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Exposição: "Revista Visão - a banda desenhada e a liberdade" Biblioteca Municipal de Torres Vedras - 17 de outubro a 14 de novembro 2026


No próximo Sábado 17 de Outubro, às 16.30, vai ser inaugurada a exposição sobre a revista Visão, de Banda Desenhada, na  Biblioteca Municipal de Torres Vedras.

Há cinquenta e um anos atrás foi editado o primeiro número da revista de banda desenhada "Visão".

Foi lançada em 1 de abril de 1975, no formato tipo B4 (230 x 320 mm), em papel "couché" de elevada gramagem, com capa e contracapa a cores, sendo o interior, constituído por 36 páginas, alternando umas a cores com outras a preto-e-branco.

A revista constituiu uma "pedrada no charco", pelo estilo gráfico e conteúdo ficcional que nada tinha a ver com a banda desenhada a que se estava habituado nas revistas portuguesas, infelizmente foram só editados doze números, entre abril de 1975 e maio de 1976.

A VISÃO Marcou a história da BD nacional ao introduzir temas sociais e políticos proibidos durante o Estado Novo, como a guerra colonial, a exploração social, a libertação sexual, entre outros.

Pretende-se, com esta mostra, reavivar a memória daqueles que ainda se lembram desta improvável revista editada num país com graves problemas e junto daqueles que não conheceram esta época da BD portuguesa, divulgar e recuperar um conjunto de bandas desenhadas esquecidas dos anos 70, do século passado, cheias de frescura, rebeldia e prazer criativo.

Organização: Clicando – Associação Cultural

 Parcerias: Câmara Municipal de Torres Vedras e Biblioteca Municipal de Torres Vedras

 Inauguração: 17 de outubro, pelas 16h30, com visita guiada à exposição


A edição da revista “VISÃO” coincidiu com um período de grande agitação política em Portugal,

durante  o chamado PREC, iniciado depois do falhado golpe spinolista do 11 de Março

de 1975 e que durou até ao golpe de 25 de Novembro desse mesmo ano.

A revista Visão refectiu no seu seio muitas das contradições e lutas políticas do seu tempo.

Em traços largos aqui recordamos alguns dos momentos mais importantes da vida portuguesa

entre o dia 1 de Abril de 1975, data do nascimento da revista, e Maio de 1976, momento em

que a revista chegou ao fim com o seu número 12.

Muitos desses contecimentos são retratados , de forma mais ou menos directa ou meramente metafóricos, durante os 12 meses da sua duração:

- 14 de Março de 1975 - Na sequência do falhado golpe militar de 11 de Março, é formado o

Conselho da Revolução, órgão a quem cabe orientar o rumo da revolução saída do 25 de Abril;

- 25 de Abril de 1975 – Realizam-se as primeiras eleições livres para eleger a Assembleia

Constituintes, Sai vencedor o Partido Socialista;

- 1 de Maio de 1975 – Depois do grande 1º de Maio unitário do ano anterior, neste Primeiro de

Maio é marcado por confrontos partidários, principalmente entre o PCP e o PS, tendo por pano

de fundo as divergências em relação ao projecto de Unicidade Sindical;

- 5 de Maio – é fundado em Espanha o MDLP, organização contrarrevolucionária liderada por

Spínola e que será responsável por uma onda de ataques terroristas a organizações de

esquerda em Portugal;

-28 de Maio são presos vários membros do partido de extrema-esquerda MRPP, numa

operação conduzida pelo COPCON uma espécie de guarda pretoriana da revolução,

comandado por Otelo Saraiva de Carvalho;

- 10 de Julho – o Partido Socialista abandona o Governo Provisório, liderado pelo General

Vasco Gonçalves;

- 12 de Julho – Decorre a cerimónia de independência de Cabo Verde;

- 19 de Julho – Realiza-se o comício da Fonte Luminosa, liderado pelo PS, contra o o Governo

Provisório;

- 7 de Agosto – É divulgado o Documento dos Nove, que reúne os militares moderados do 25

de Abril e procura travara o PREC (Processo Revolucionário em Curso);

- 8 de Agosto – Toma posse o V governo provisório presidido por Vasco Gonçalves, sem o

apoio do PS e do PSD, que tinham abandonado o governo anterior;

- 25 de Agosto – O presidente da República demite Vasco Gonçalves e nomeia o IV Governo

Provisório liderado pelo almirante Pinheiro de Azevedo, com o apoio do PS e do PSD e

participação minoritária do PCP;

- 5 de Setembro – A Assembleia do MFA realizada em Tancos dá ao grupo dos Nove e aos

moderados a liderança do movimento;

- 11 de Novembro – É declarada a independência de Angola, iniciando-se uma guerra civil que

vai durar anos, entre o MPLA, a FNLA e a UNITA;

- 12 de Novembro – A Assembleia da República é cercada por uma grande manifestação de

trabalhadores a construção civil que exigem a dissolução da Assembleia da República;

- 25 de Novembro – na sequência do constante conflito entre várias forças revolucionárias e

democráticas que se alargam ao interior dos quartéis, dá-se a ocupação da base aérea de

Tancos por forças para-quedistas, levando a uma resposta das forças moderadas, ligadas ao

Grupo dos Nove e com apoio do PS e do PSD, que anulam e terminam com o chamado PREC;

-- 7 de Dezembro – Timor-Leste é invadido e ocupado pela Indonésia;

- 2 de Abril de 1976 - tem lugar a sessão solene de encerramento da Assembleia Constituinte,

que promulga a primeira Constituição Democrática, a Constituição de 1976. Votam a favor o

PSD, o PS, o PCP e o MDP e os votos contra do CDS;

- 25 de Abril de 1976 – Realizam-se as primeiras eleições legislativas com a vitória do PS;

- Maio de 1976 – mês marcado pela campanha eleitoral para as primeiras Eleições

Presidenciais, onde se destacam as candidaturas de Otelo e Ramalho Eanes. Este será o

primeiro presidente eleito no dia 17 de Junho.

(textos elaborados por Carlos Ferreira e Venerando Aspra de Matos)

sábado, 10 de outubro de 2026

Lucky Luke -80 anos a disparar mais rápido que a própria sombra


“Lucky Luke é toda a história do Oeste, a única autêntica aventura dos temos modernos”

René Goscinny

O “Nascimento” de Lucky Luke

O famoso cowboy Lucky e Luke completou 80 anos de vida em Outubro de 2026, tendo surgiu pela primeira vez nas páginas da edição francesa da revista Spirou em 10 de Outubro de 1946.

Essa primeira aventura intitulou-se “Arizona 1880”, uma aventura de 22 páginas e que voltou a ser editada na Bélgica no L’Almanach Spirou 1947, editado em 7 de Dezembro de 1946.

Lucky Luke só aparece nessa aventura na terceira página e a sua figura é muito diferente daquela que geralmente conhecemos, acompanhado do inseparável cavalo Jolly Jumper.

As figuras e o ritmo dessa primeira aventura são ainda muito influenciados pela actividade anterior do autor dessa série, que tinha trabalhado num estúdio de cinema de animação: figuras arredondadas, ao estilo de Mickey ou Popey, com mãos de 4 dedos, um ritmo truculento, muito dinâmico, com poucas palavras.

O primeiro herói da série é um miúdo, Tom, que pede ajuda a Lucky Luke para salvar o pai, preso por baixo de uma diligência que caiu, depois de ser assaltada. Nesta aventura surge também o primeiro de uma longa lista de vilões, Big Billy, um batoteiro e assaltante de diligências.

A cena final já anuncia a imagem icónica que termina todas as aventuras da série, Lucky Luke caminhando em direcção a um sol que põe no horizonte, nesta primeira aventura tocando uma harmónica.

Nada fazia prever o enorme êxito dessa série, a mais vendida e editada na Banda Desenhada franco-belga, muito à frente de Asterix ou Tintim.

Morris (Maurice de Bevere)

O criado da série nasceu em Courtrai, na região flamenga da Bélgica, no dia 1 de Dezembro de 1923, 2º filho de um industrial local, fabricante de cachimbos em cerâmica importada da Alemanha.

Após ter frequentado as primeira letras, Maurice foi estudar para um colégio particular católico dirigido por jesuítas em Alast, a 16 Km da sua terra natal.

Paras e descontrair e fugir do ambiente austero do colégio desenhava imenso nos cadernos escolares, onde caricaturava colegas e professores.

Ao estudar o texto “A Guerra das Gálias” de Júlio César na disciplina de humanidades greco-latinas, ilustrou todo esse texto desenhando, como alguém diria, “Asterix antes do tempo”.

Por essa altura assinou ao Petit Vingtieme, em cujas páginas ficou a conhecer as aventuras de Tintin, tendo copiado, página a página, o “TinTin no País dos Soviets”.

Assinava igualmente a revista Mickey Mouse Weekly, através de cuja leitura aprendeu, como autodidacta, o inglês.

Apreciava também a obra de Marijac, um desenhador francês muito importante ante da guerra, criador da série Jim Boum, as aventuras de um cowboy.

Durante esse período de infância e juventude era frequentador habitual das sessões de cinema em Courtai, especialmente os Western’s e o cinema de animação, ficando-lhe na memória a exibição, em 1937, do filme de Disney “Branca de Neve e os Sete Anões”.

Esses primeiros Western’s a que assitiu inicialmente eram mudos, depois eram cantados por cowboys acompanhados por guitarras.

Tinha um projector em casa, o que lhe permitiu ver filmes mudos, curtas metragens e desenhos animados, que ele esmiuçava, plano a plano, familiarizando-se assim com as técnicas de animação.

A caricatura foi um das suas primeiras actividades, muito por influência do pai que decorava os seus cachimbos com caricaturas de personalidades da época e, em 1939, Maurice, então com 15 anos, começou a colaborar na revista do colégio “Jong Leven” onde publicou caricaturas.

Em 10 de Maio de 1940 a Bélgica é invadida pelos alemães, que bombardeiam o colégio, do qual tem de fugir. Segue-se um período de penúria e falta de alimentos. Em 1942 os alemães instauram o trabalho obrigatório nas fábricas alemãs.

Para escapar ao trabalho forçado na Alemanha, Maurice inscreve-se na Universidade de Luvaine para estudar direito, mas, no início de 1944, é requisitado pelos alemães para trabalhar numa cadeia de montagem numa metalúrgica em Marcke, perto da sua cidade Natal, onde trabalha cerca de 8 meses, até à libertação.

De forma clandestina publicou, em Outubro de 1944, um cartoon no boletim do núcleo da resistência de Courtai.

No final da guerra inscreve-se num curso de cinema de animação por correspondência, dirigido pelo desenhador francês Jean Image.

Em Março de 1945 responde a um anuncio de trabalho num estúdio de cinema de animação em Bruxelas, CBA (Companhia Belga de actualidades). Esse estúdio produzia páginas de actualidades para passar nos cinemas e que se lançou no cinema de animação durante a guerra para substituir a produção norte-americana, proibida durante a ocupação nazi. A sua experiência nesse estúdio foi de curta duração, pois a CBA faliu pouco depois da sua entrada. Contudo, nessa curta experiência, conheceu alguns amigos para a vida, que também fizeram carreira na  BD, como Eddy Paape, Franquin ou Peyo.

No outono de 1945 procurou trabalho na editora Dupuis, que editava as revistas Le Moustique e Spirou , para as  quais realiza desenhos e ilustrações, nomeadamente caricaturas de actores de cinema.

Já tendo esboçado a figura de um cowboy para os estúdios CBA, acaba por apresentar um projecto de BD com um cowboy como herói, nascendo assim Lucky Luke.

Ainda longe de calcular o êxito dessa personagem, começa a colaborar regularmente na revista Spirou. A partir de 1947 vai viver, juntamente com Franquin e Will, na casa de Jijé em Waterloo. Não tendo frequentado uma escola de arte, sendo um autodidacta, Morris confessou mais tarde que aprendeu muito no estúdio de Jijé.

O Período Americano

Temendo um novo conflito mundial, que seria nuclear, Jijé consegue convencer Franquin e Morris a acompanhá-lo numa viagem para os Estados Unidos.

Morris alinha por se sentir atraído por poder conhecer o ambiente do Oeste americano e devido à admiração que nutria pelo cinema de animação desse país, sonhando fazer carreira nesse meio.

Morris, Franquin, Jijé, a esposa deste Annie Gillan e os seus quatro filhos, Benoit, o mais velho de 10 anos, Anne, Philippe e Dominique, esta ainda bébé, partem de barco de Roterdão a caminho dos Estados Unidos em 3 de Agosto de 1948.

Morris era o único a dominar o inglês e vai servir de interprete do grupo.

Essa aventura serviu de base a uma banda desenhada editada em 2012, “Gringos Locos”, da autori de Yann e Schwartz, que devia ser publicada em dois volumes, mas, por oposição da família dos autores caricaturados, acabou por ser suspensa. O segundo volume devia intitular-se “Crazy Belgium”. Deste apenas foram elaboradas 7 pranchas.

Chegados a Nova Iorque, passaram uma semana num hotel de Times Squares, à espera que Jijé obtivesse uma autorização de condução para viajarem para Oeste até ao México. Finalmente aduirida a dita autorização, Jijé adquiriu uma Hudson Commmodore, modelo de1946, que acomodou 4 adultos, 3 crianças, 1 bébé, bagagem e material de campismo.

Partindo de Nova Iorque, tendo S. Francisco como destino, passaram por Saint Louis, Oklahoma City, Grand Canyon…3 semanas “on the road”.

Na passagem para o México enfrentaram alguns problemas, apenas tendo conseguido passar a fronteira a família Gillain, que se estabeleceram em Tijuana. Finalmente, algumas semanas mais tarde, Franquin e Morris conseguiram juntar-se à família de Jijé, partindo para a Cidade do México, onde passaram o Natal de 1948. Na capital mexicana Franquin e Morris instalaram-se no hotel Bayona.

Ao longo desse tempo Morris preparou vários episódios de Lucky Luke para enviar para a revista Spirou. Foi desse período a elaboração de “Le Rue vers l’or de Buffalo Creack”, uma história de 18 páginas que começou a ser publicada a partir de 24 de Fevereiro de 1949 e “Lucky Luke contra Cigarrette Caesar”, editada a partir de 30 de Junho de 1949, esta ultima muito influenciado pelo ambiente mexicano.

As pranchas originais eram enviadas para a Bélgica por correio aéreo e, para poupar no preço do envio, Morris recorreu a uma fórmula rara, desenhando dos dois lados da mesma prancha.

Em Abril os vistos mexicanos de Franquin e Morris expiraram, regressando ambos a Nova Iorque, via Chicago.

Partindo de Nova Iorque, Franquin regressou à Europa.

Morris ficou sozinho nessa cidade, onde permaneceu mais 6 anos e foi viver para um apartamento em Manhattan, num 16º andar da West End Avenue.

Aí estabelecido, inscreveu-se numa escola de artes e foi mostrar os seus desenhos no estúdio de Fred Ottenheimer, autor da série From Hero To Insanity, realizando ilustrações não assinadas para comic-books e livros infantis, ao mesmo tempo que continuava a desenhar a série Lucky Luke.

Regressando do México, a família de Jijé instalou-se em Wilton, uma vila do Connecticul, próxima de Nova Iorque.

Em Agosto de 1949 Jijé apresenta a Morris um francês, criado na Argentina, que coloria cartas postais, um tal…René Goscinny.

Morris e Goscinny tornam-se amigos inseparáveis, onde se juntavam na apartamento do primeiro para ver combate de box na televisão. Contudo, só em 1955 é que Goscinny inicia a sua colaboração com Morris na série Lucky Luke, assunto ao qual voltaremos mais à frente.

Duranta essa estadia nova-iorquina, Morris deslocava-se regularmente à Biblioteca Municipal da cidade para consultar livros e documentos sobre o Far West, frequenta salas de cinema especializadas no cinema de animação.

Através de Goscinny conhece os futuros criadores da revista MAD, Jack Davis, William Elder e Harvey Kurtzman, passando a ser visita habitual do estúdio deste último.

Este contacto com os autores da revista Mad vai influenciar a obra de Morris, nomeadamente na simplificação gráfica, na expressividade no trato e num uso mais cuidado da paródia gráfica, influencia notória na aventura “L’Elixir du docteur Doxey”, publicada na revista Spirou partir e 11 de Fevereiro de 1953.

Durante essa estadia casa-se com Francine em 1952 e, em 1955, regressa à Bélgica.

Goscinny entra em cena

Como vimos anteriormente, Morris e Goscinny conheceram-se nos Estados Unidos e tornaram-se amigos inseparáveis.

Goscinny chegou a ser convidado para padrinho de casamento de Morris em 1952, mas foi impedido pela lei norte-americana pelo facto de ser judeu e o casamento ser católico.

A sua colaboração com Morris na série Lucky Luke começou em 1954, na elaboração do argumento da aventura “Des rails sur la prairie”, publicada na revista Spirou a partir de 25 de Agosto de 1955. Essa colaboração começou com Morris ainda a viver nos Estados Unidos e Goscinny em França, muito trabalho feito por correspondência, correspondência que continuou como principal forma de contacto entre ambos depois de Morris regressar à Bélgica, em 1955.

Nas primeiras histórias que originaram dessa colaboração  não aparece ainda a assinatura de Goscinny. Só após ter colaborado como argumentista em 9 aventuras é que, finalmente, apareceu a assinatura de René Goscinny como argumentista. Foi na aventura “Les Rivais de Painful Galch”, publicada na revista Spirou a partir de 5 de Janeiro de 1961.

Em alguns dos álbuns anteriores já aparecia a referência à colaboração, ao lado de Morris, de um misterioso R.G., as iniciais do argumentista que levantaram muita especulação sobre o quem se escondia por detrás dessas iniciais. Houve quem aventasse a hipótese de essas iniciais esconderem uma colaboração de Hergé, que já tinha assinado alguns trabalhos seus com iniciais idênticas.

O aparecimento de Goscinny como coautor da série foi uma conquista importante para a época, dado que, muitas vezes, o habitual era aparecer apenas o nome do desenhador, sem referência a outros colaboradores no argumento.

Para Goscinny, a colaboração com Morris foi o seu primeiro trabalho de fôlego como argumentista, ainda antes de outras colaborações importantes com Uderzo, em Oumpah-pah, em 1958, e em Astérix a partir de 1959, com Sempé em Petit Nicolas, também a partir desse ano, ou com Tabary em Iznogoud a partir de 1962.

A colaboração a Goscinny por essa parceria era paga directamente por Morris, numa base de 1/3 para o argumentista e 2/3 para o desenhador.

Goscinny surgiu na série numa altura em que esta perdia algum fulgor e originalidade, havendo quem afirme que, se esse argumentista não tivesse aparecido, a séria não teria sobrevivido muito mais tempo.

Os argumentos de Goscinny viveram dar uma nova dinâmica à série, baseando-se na realidade da riqueza histórica do Oeste, ponto de partida de todas as aventuras por si escritas, sempre com uma preocupação documental, usando sistematicamente todas as lendas, figuras e conquistas, dando-lhes uma volta fortemente irónica nos diálogos e argumentos mais sólidos.

Algumas das personagens mais icónicas da série, de Rantanplan, aos Primos Dalton, de Calamity Jane a Billy the Kid, entre outras, muitas baseadas em figuras reais da mitologia do Oeste norte-americano, foram introduzidas por Goscinny, que lhe deu características psicológicas muito próprias e sólidas.

Goscinny, tardiamente reconhecido pela Dupuis, a primeira editora da série e da revista Spirou, reconhece a importância de Goscinny na série, que entretanto conseguiu que Lucky Luke deixasse a revista Spirou para começar a ser publicada na revista Pilote, dirigida por Goscinny, onde este tinha um lugar de destaque como argumentista da série Astérix.

Essa transferência deu-se em 1968, onde a aventura de Lucky Luke “Dalton City” começa a ser publicada em 4 de Abril desse ano.

Em 1971 os dois amigos lançam-se no cinema de animação, o velho sonho de Morris, com a primeira longa metragem da série produzida pela Belvision, “Daisy Town”. Pouco tempo depois Goscinny cria com Uderzo uma produtora independente de cinema de animação, a “Ideafix”, que produz o segundo filme de animação da série “La Ballade des Dalton”, que faz a síntese de vária aventuras da série, e que será estreado em 1978, postumamente à morte de Goscinny ocorrida no ano anterior.

Esse ano de 1977 foi um ano de grandes conflitos entre Goscinny e a Dargaud, editor da revista Pilote, que chega às barras do tribunal. Goscinny chega a pedir a Uderzo para, em solidariedade, deixar de desenhar a aventura de Asterix que estavam a produzir, “Astérix entre os Belgas”, pedido a que Uderzo acedeu. Tendo feito o mesmo pedido a Morris, que estava a desenhar “O Fio que Canta”, este ignorou o pedido do amigo e prosseguiu a preparação da edição em álbum dessa aventura a produzir pela Dargaud.

Esse conflito foi violentamente interrompido com o falecimento de Goscinny, de ataque cardíaco em 5 de Novembro de 1977.

Aquelas duas aventuras, de Asterix e Lucky Luke, a do primeiro a título póstumo, foram as duas últimas escritas por Goscinny.

Breve evocação de Goscinny e do seu percurso 

René Goscinny nasceu em Paris em 14 de Agosto de 1926, mas acompanhou os pais, judeus de origem ucraniana, a mãe, e polaca, o pai,  na sua emigração para a Argentina, onde viveu até 1945, quando foi viver para Nova Iorque,  junto de um tio, devido ao falecimento do pai. Sendo incorporado na armada americana, partiu para França, mas sem nunca ter entrado em combate. Regressado aos Estados Unidos, conheceu alguns dos mais importantes desenhadores que estiveram na origem da criação da revista MAD em 1952, entre eles Hervey Kurtzman.

Conheceu também, na ocasião, dois dos mais importantes autores da BD franco belga, Jijé, um dos desenhadores da série Spirou, e Morris, o criador de Lukcy Luke, que por essa altura viveram algum tempo em Nova Iorque. Estes apresentam-no a Georges Troisfontaine, director da agência World’s Press, uma agência belga especializada na divulgação de BD. Goscinny resolve ir a Bruxelas apresentar o seu trabalho, como desenhador, nesta agência, que o ignora. Apesar disso Troisfontaine entrega-lhe a responsabilidade pela sede da agência em Paris. É então que  Jean_Michel Charlier, criador da série Tenente Blueberry, o põe em contacto com o meio da banda desenhada franco-belga, onde conhece Albert Uderzo, com quem inicia uma profícua colaboração.

Desistindo em definitivo de se dedicar ao desenho,  inicia-se, em 1952,  como argumentista da série “As Belas Histórias do Tio Paul”, desenhada por Pierre Dupuis e Eddy Paape, e, a partir de 1955,  com o seu amigo Morris, nos argumentos de algumas das mais interessantes aventuras de Lucky Luke, publicadas na revista Spirou.

“Des Rails sur la Prairie”, foi a primeira aventura com o seu argumento, embora a sua autoria só fosse assumida mais de 9 aventuras depois . Foi responsável pelos argumentos de mais de 40 títulos da série, e pela criação de algumas das mais icónicas personagens da série com Calamity Jane  e os Primos Dalton. A ele também se deve a célebre frase do herói da série, “o homem que dispara mais rápido que a sua própria sombra”.

Em 1952 começou a colaborar com Uderzo  na série Jehan Pistolet e Luc Junior. Em 1955 escreve e desenha a  “Le capitaine Bibodou” para o efémero semanário “Risque-Tout”, editado pela Dupuis, com a intenção de lançar novos autores a integrar no futuro na revista Spirou. Em 1956 cria outra das suas  séries de marca, “Le Petit Nicolas”, desenhada por Sempé para a revita Le Moustique.  Colabora esporadicamente com Jijé, em 1956, na série Jerry Spring, no episódio “L’or du vieux Lender”.

Em 1956 entra para a revista TinTin, sendo responsável pelos argumentos de várias séries e histórias, entre elas o “Senhor Spaghetti” de Dino Attanasio, Monsieur Tric, com Bob De Moor, Prudence Petipas, com Maurice Maréchal, Modeste e Pompom de Franquin, num episódio de Chick Bill, com Tibet, Le Pére La Houl, com Macherot, Srampontin com Berck e, com Uderzo, criando a série Humpá-pá, que vai ser uma espécie de ensaio geral de Astérix.

Nesse momento de grande criatividade, colabora em revistas como Paris-Flirt (com Will). Jour de France (com Coce) e com Godard, na revista de BD francesa, ligada ao Partido Comunista,  Vaillant, antecessora da revista PIF.

Juntamente com Uderzo e outros jovens autores, lança-se em 1959 na aventura da criação de revista francesa Pilote,  para a qual criam Ásterix, que inicia a sua longa vida na 1ª edição dessa revista editada em 29 de Outubro de 1959.

Nessa revista, que vai colocar a BD num novo patamar qualitativo, retoma antigas personagens como Pistolin (1959), Le Petit Nicolas (1959) e Johan Soupolet (1960).

Quando se torna chefe de redacção da revista, lança uma nova e criativa geração de autores, colaborando como argumentista com alguns deles, como Martial em “Les Divagations de Monsieur Sait-Tout”, em 1961, Gotlib em Les Dingodossiers, em 1965, ou Mic Delinx em La Forêt de Chênebrau, em 1966. Uma das grandes novidades e conquistas que conseguiu para o prestígio da revista foi ter “roubado” à revista Spirou a série Lukcky Luke que desenvolvia há mais de uma década nesse semanário belga em coautoria com Morris. A primeira aventura de Lucky Luke publicada nas páginas de Pilote, em 4 de Abril de 1968, foi “Dalton City”.

Continua a colaborar noutras séries publicadas noutras revistas como no argumento do Califa Haroum et Poussaha, desenhado por Jean Tabary, para o mensário Record, série esta que tem o célebre Vizir Iznogoud como personagem icónica.

Contestado por vários jovens autores na sequência do Maio de 1968, e depois de uma saída em massa de vários deles para fundarem outras revistas icónica das BD francesa, como Charlie Hebdo, L’Echo des Savannes ou Fluide Glacial, acabou por sair da revista, dedicando-se ao cinema de animação e à série Ásterix, criando o Estúdio Idéfix, contribuindo para relançar a animação francesa, ao mesmo tempo que lança, com Uderzo a sua própria casa editorial

Na sequência de uma prova de esforço, recomendada pelo seu cardiologista, acaba por morrer de ataque cardíaco em 5 de Novembro de 1977, aos 51 anos, tendo deixado pronto o argumento para mais uma aventura de Asterix, “Astérix entre os Belgas”, que só foi publicada em 1979, a última aventura do irredutível gaulês, num total de 24, que contou com o seu argumento.

Principais Características da série Lucky Luke

O desenho animado e os Western’s foram as paixões de Morris na sua infância e juventude.

Ao criar Lucky Luke baseou-se muito nessas suas paixões, pois o objectivo de Morris era vir a tornar o seu herói em figura de cinema de animação, género que foi a principal influência na forma como desenhou e desenvolveu as primeiras histórias.

Para além da forma arredondada das primeiras figuras do herói, sente-se a influência do cinema, procurando em Lucky Luke uma síntese de clássicos como Gary Cooper, Tom Mix e James Stewart, seguindo o modelo clássico do cowboy taciturno, grave e solitário.

Os temas recorrentes nas suas aventuras são os clássicos do western, a corrida ao ouro, o combate contra os índios, a construção do caminho de ferro, as novas cidades que crescem ao logo de uma rua principal, acompanhando a conquista do Oeste, com o seu saloon, a sua prisão, o seu comércio, a agência funerária, onde chegam as diligências, e identificadas pelas suas placas, os primeiros jornais, os rodeos um oeste mítico reinventado por Morris e, mais tarde, por Goscinny.

Um oeste que atrai todo o tipo de gente, do xerife ao batoteiro, do pistoleiro, ao assaltante de bancos, do colono ao assaltante de bancos e diligências, não faltando o “gato-pingado”.

Morris recorre a figuras reais da mitologia da conquista do Oeste para recriar algumas das figura que preenchem o imaginário dos leitores da série.

É toda uma galeria de personagens, muitas reais, de primeiro ou segundo palno, mas recriadas pela imaginação dos autores, que povoam a comédia humana retratada nas aventuras de Lucky Luke: Eliot Belt, Jack le Muscle, Cole Younger, Dopey, Imperador Smith, Roy Bean, Jess James e o seu irmão Franck, Dr. Otto Von Himbeergeist, Coron O’Nollan, Bronco Fortworth,  reverando Sinclair Rawlwr, Calamity Jane, Billy the Kid, Cass Casey, Pat Poker, Scott Thumbs, Denver Mills, Jack Ready, Cayote Will, Jess Jamon, xerife Bill Boney, Allan Pinkerton, Black Bart, Belle Star, Sarah Bernhardt, Annabelle Flimsey, os Dalton…

Não por acaso, esse é um universo quase totalmente masculino. As figuras femininas ocupam um lugar secundário no universo de Lucky Luke, em grande parte porque a editora Dupuis tolerava mal a presença do género feminino nas suas publicações, a não ser exercendo funções tradicionais, muito por causa da Lei de censura francesa de 1949.

Embora a censura Bélgica fosse muito benevolente, os editores belgas que queriam entrar no grande mercado francês queriam evitar problemas com a censura francesa e praticavam autocensura, sem esquecer o espírito da época.

As coisas começara a mudar na década de 60 e, no caso da série Lukcy Luke, por acção de Goscinny que, em Calimity Jane, de 1965, coloca uma mulher em primeiro plano, ainda por cima rompendo com os estereótipos das heroínas do oeste, simples bailarinas, prostitutas, elemento pacificador e frágil. Calamity Jane, baseada numa personagem real, era todo o contrário, associada à frase que lhe atribuíram de “nem prostituta, nem submissa”. Estava aberto o caminho para uma presença mais forte do elemento feminino, de uma Lulu Carabine, inspirada em Mae West, em “Dalton City” de 1968, a uma enérgica Ma Dalton de 1970, sem esquecer um Sarah Bernhard na década de 80 do século passado.

Entre o lote de personagens que se cruzam com Lucky Luke, merecem especial destaque a família Dalton.

Os Dalton parecem pela primeira vez no álbum “Hors-la-loi”, escrito e desenhado por Morris quando da sua presença nos Estados Unidos, editado na revista Spirou a partir de 20 de Setembro de 1951. Morris baseou-se nos verdadeiros Dalton, Grat, Bob, Bill e Emmet e no filme de 1940 que George Marshal lhes dedicou,”Whem the Daltons Rode”. No final morrem todos, cena que está na origem de um acto de censura em relação à ultima pagina da aventura, considerada muito violenta, e que o autor altera na edição em álbum. Contudo a verdadeira história dos Dalton foi um pouco diferente daquela imaginada por Morris.

A sua história é conhecida graças à descrição do jornalista Eye Witness que publica em 1892, “Le gang des Dalton” e, mais tarde, às memórias de Emmet Dalton, publicadas por volta de 1930.

Os verdadeiros Dalton eram filhos de Lewis Dalton, trabalhador num bar, e de Adeline Younger, parente dos irmãos Younger que faziam parte do bando de Jess James, outra figura que foi evocada na série Lucky Luke, que viviam no Kansas. Os irmãos não eram só quatro, eram…15, dos quais 3 faleceram em criança.

Em 1882  a família deslocou-se para o sudoeste do Kansas. O pai, alcoólico, abandona a família e os filhos ficam ao cuidado de uma mãe austera, que inculca uma educação religiosa e rigorosa à sua prole.

Os irmãos mais velhos, Ben e Cole, obtêm diploma universitário, Bill vai para a Califórnia e Frank torna-se marshal federal no Arkansas desde 1881, sendo morto no exercício das suas funções, em 1887, por um ladrão de cavalos.

Grat (Gratton) ocupa o lugar de xerife do irmão assassinado, acompanhado pelos irmãos Emmet (então com16 anos) e Robert (Bob) (então com 18 anos). Rapidamente estes três irmãos, “homens de lei”, são acusados de abuso de autoridade e, em 1889, Bob assassina um cowboy, Charlie Montgomery, por ter ousado fazer a corte a uma namorada. Devido a esse caso, que retira a autoridade aos irmão, e ao atraso no pagamento das suas funções, Grat e Bob entram na senda do crime, roubando cavalos e traficando álcool em território indío.

Nasce assim o bando dos Dalton, ao qual se junta um terceiro irmão, Emmet. Em 1890 Bill junta-se aos três irmãos e assaltam uma sala do jogo em Silve City e posteriormente são acusados de um assalto a um comboio e à morte do maquinista.

No dia 5 de Outubro de 1892 o bando ataca dois bancos em Coffeyville, no Kansas, mas as coisas correm mal e, no confronto com as autoridades, Grat e Bob são abatidos, juntamente com dois outros membros do bando, Bill Powerr e Dick Breadwell.

Emmet, ferido com 21 balas no corpo, sobrevive e passa 14 anos na prisão. Libertado, casa com uma antiga namorada, Julia, torna-se agente imobiliário, escreve as memórias do bando e trabalha no cinema, desempenhando o seu próprio papel num filme de 1916, vivendo em Los Angeles até morrer em 1937.

Voltando aos Dalton ficcionados por Morris, como vimos este resolveu “matar” os 4 irmãos, Grat, Bob, Bill e Emmet. Mas esses personagens causaram logo grande impacto junto dos leitores da série que escreveram cartas a Morris descontentes com o desfecho. Quando, em 1954, convida Goscinny para escrever os argumentos da série, pede-lhe que ressuscite os Dalton. Goscinny resolve inventar uns primos que surgem para vingar a “morte” dos “verdadeiros”.

É assim que aparecem os primos Dalton, Joe, Jack, William e Averell, os vilões mais famosos da série e que vão aparecer o título de mais de vinte álbuns da série e, com menos destaque, noutros tantos álbuns.

O facto de estes Dalton terem sido totalmente reinventados permite uma liberdade de argumeto e imaginação que os tornam quase tão famosos como Lucky Luke.

Os primos surgem pela primeira vez, num papel secundário, em 1956 na história “Lucky Luke contra Jess Jamon”, surgindo no papel principal na aventura seguinte, nesse mesmo ano, “Os Primos Dalton”.

Duas outras figuras da família Dalton vão aparecer na série. “Ma Dalton”, de 1971, figura baseada na mãe dos verdadeiros Dalton, Adele Dalton, descrita no livro de memórias de Emmettt “Nous les Dalton..” e “Marcel Dalton”, álbum de 1998,um Dalton honesto imaginado pelo argumentista Bob de Groot, um dos substitutos de Goscinny na construção de argumentos para a série, tomando por base um dos Dalton que enveredou pelo mundo do crime, o xerife Frank Dalton.

Associado ao aparecimento dos primos Dalton urge outro personagem icónico da série, o cão RanTanPlan, o “cão mais estúpido do Oeste”, verdadeira alma gémea do Dalton Avarell.

RanTanPlan surge pela primeira vez em “Sur La Pista des Dalton”, em 1961 e foi pensado como uma paródia a RiTinTin, o cão vedeta de uma série televisiva alemã.

O êxito desse personagem tona-o o herói principal do álbum L’Héritage de RanTanPalan, de 1973, tornando-se depois personagem principal de uma série publicada entre 1987 e 2011. Em 2006 as suas aventuras para ao cinema de animação.

Em contraponto com a sua estupidez, está Jolly Jumper, o cavalo de Lucky Luke que acompanha o herói desde a sua primeira aparição.

Começa a ter uma intervenção própria na série a partir do 10º álbum, “Alerte aux Pieds-Bleu” , passando a falar regularmente na história “Sur la Pista des Dalton”, embora tenha aparecido a falar pela primeira vez numa cena de “La Mine d’or de Dick Digger”, em 1947, mas que não aparece no álbum onde é publicada a mesma aventura.

É o contraponto de RanTanPlan, na inteligência e nas capacidades.

Morris faleceu em 16 de Julho de 2001, saindo poucos meses depois, a título póstumo, o 71º álbum da série, “A Lenda do Oeste”.

Ao contrário de outros heróis, que “morreram” com o autor, Lucky Luke continua as suas aventuras.

(este texto é um esboço para um texto mais completo a ser publicado na edição do fanzine Impulso programado para ser editado em Maio de 2027)

 

 

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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Álbum comemorativo do 80º aniversário de Blake e Mortimer tem Portugal como cenário


O próximo álbum da série Blake e Mortimer, a sair este mês, vai ter Portugal como cenário.

Vai ser um álbum comemorativo do 80º aniversário da série e, de forma diferente dos anteriores, é uma obra colectiva que inclui 10 histórias inéditas e independentes, que prestam uma homenagem a figuras secundárias da série.

Para o efeito foram convidados 17 desenhadores e argumentistas para criarem 10 histórias independentes, de 6 páginas cada.

Uma dessas histórias tem por cenário o Estoril dos anos 1940, intitulada “Operação Estoril”, com argumento e desenho de Nicolas Barral.

A história conta o primeiro encontro entre Blake e o major Benson, durante uma missão em Portugal em 1940, em plena 2ª Guerra Mundial.

O objectivo desse encontro visa  enfrentar uma conspiração dos serviços secretos nazis que pretendem colocar na coroa britânica alguém da sua confiança.

Nicolas Barral é um admirador da série Blake e Mortimer, sendo responsável pela série que ironiz com a obra de Jacobs, "Les Aventures de Philip e France", crida em 2005 e foi autor de duas outras obras ambientadas em Portugal, “O Desassossegado Senhos Pessoa”, de 2025, e uma obra anterior,  “Ao Som do Fado” de 2020.



Recorde-se que o território português já foi tema de duas aventuras da série, uma ainda desenhada por Edgar Pierre Jacobs, “O Enigma da Atlântida”, de 1957, e a última “A Ameaça Atlante”, editada em 2025, com argumento de Yves Sente e desenho de Peter Van Dongen, ambas passada nos Açores.