Há 80 anos, numa 5ª feira, 26 de Setembro de 1946, numa Bruxelas com 25 graus de temperatura, o “pequeno Roger Goens teve duas boas razões para sorrir. Primeiro, ele tinha acabado de assistir, em companhia da sua mãe, à projecção de “Pinóquio”, desenho animado adaptado pelo célebre Walt Disney, no cinema “Eldorado” na praça De Brouckère. Segundo, um acontecimento registado em todo o território belga da época, foi o dia oficial do lançamento duma nova publicação para a juventude: o “jornal TinTin”, publicado com uma semana de atraso em relação à data prevista, 19 de Setembro (1).
Nesse mesmo dia 26 de Setembro saiu para a rua o nº441 do “Journal
de Spirou”, que veio a tornar-se o grande rival editorial da recém-nascida “TinTin”.
A iniciativa da fundação da revista “TinTin” partiu das
“éditions du Lombard”, criada de propósito para a ocasião, dirigida por Raymond
Leblanc, um católico que tinha participado na resistência ao ocupante nazi
durante a 2ª Guerra.
A revista conheceu outra versão em holandês, lançada na
mesma data, dirigida à comunidade flamenga, intitulada “Kuifje”.
Nesse primeiro número surgiu uma nova aventura de “Tintin”,
“O templo do Sol”, e estrearam-se novas séries, Blake e Mortimer, de Edgar
Pierre Jacobs, em “O Segredo do Espadão”, Corentin, de Paul Cuvelier e “La
Légende des quatre fils Aymon” de Jacques Laudy.
Hergé, Jacobs, Cuvelier e Laudy ficaram conhecidos como os
“4 Mosqueteiro” da nova revista.
A capa desse primeiro número, assinada por Hergé, mas feita
em colaboração com Jacobs, anunciava a nova aventura de TinTin, “O Templo do
Sol”, que era a continuação de “As Sete Bolas de Cristal”, cuja publicação, no
jornal colaboracionista “Le Soir”, tinha sido interrompida em 3 de Setembro de
1944 com a libertação de Bruxelas e a suspensão daquele jornal.
Publicada a cores nas páginas centrais da revista, no chamado
“formato italiano”, Hergé inclui uma coluna escrita, dividida em 4 partes,
resumindo “As Sete Bolas de Cristal”.
Hergé era o director artístico e Jaccques Van Melkebeke foi
nomeado chefe de redacção. Contudo, este último foi substitudo por André Fernez
em Dezembro desse ano de 1946, por estar a contas com a justiça, acusado de
colaboracionista com o ocupante nazi.
A revista foi conhecendo sucessivos aumentos de tiragem,
acompanhados pelo aumento do número de páginas e a inclusão de novos autores.
Em 1947, na edição de 3 de Abril, numa edição especial de 24
páginas, apareceu pela primeira vez o slogan que popularizou a revista : “Tintin
é o jornal de todos os jovens…dos 7 aos 77 anos”.
No ano seguinte foi editada a versão francesa da mesma
revista, publicada pela primeira vez em 28 de Outubro de 1948.
O semanário “TinTin” durou até 29 de Novembro de 1988,
publicando-se um total de 690 edições dessa revista.
Em Portugal a revista “Tintin” conheceu uma versão editada
pela Bertrand, nascida em 1 de Junho de 1968 e que durou até 2 de Outubro de
1982.
(1) – in Le Journal TinTin – Les Coulisses dúne aventure, ed. Moulinsart, Bruxelas, 2006, pág. 16 (tradução adaptada);








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