sexta-feira, 14 de agosto de 2026

No Centenário do nascimento de René GOSCINNY (14 de Agosto de 1926-5 de Novembro de 1977)


René Goscinny nasceu em Paris em 14 de Agosto de 1926, mas acompanhou os pais, judeus de origem ucraniana, a mãe, e polaca, o pai,  na sua emigração para a Argentina, onde viveu até 1945, quando foi viver para Nova Iorque,  junto de um tio, devido ao falecimento do pai. Sendo incorporado na armada americana, partiu para França, mas sem nunca ter entrado em combate. Regressado aos Estados Unidos, conheceu alguns dos mais importantes desenhadores que estiveram na origem da criação da revista MAD em 1952, entre eles Hervey Kurtzman.

Conheceu também, na ocasião, dois dos mais importantes autores da BD franco belga, Jijé, um dos desenhadores da série Spirou, e Morris, o criador de Lukcy Luke, que por essa altura viveram algum tempo em Nova Iorque. Estes apresentam-no a Georges Troisfontaine, director da agência World’s Press, uma agência belga especializada na divulgação de BD. Goscinny resolve ir a Bruxelas apresentar o seu trabalho, como desenhador, nesta agência, que o ignora. Apesar disso Troisfontaine entrega-lhe a responsabilidade pela sede da agência em Paris. É então que  Jean_Michel Charlier, criador da série Tenente Blueberry, o põe em contacto com o meio da banda desenhada franco-belga, onde conhece Albert Uderzo, com quem inicia uma profícua colaboração.

Desistindo em definitivo de se dedicar ao desenho,  inicia-se, em 1952,  como argumentista da série “As Belas Histórias do Tio Paul”, desenhada por Pierre Dupuis e Eddy Paape, e, a partir de 1955,  com o seu amigo Morris, nos argumentos de algumas das mais interessantes aventuras de Lucky Luke, publicadas na revista Spirou.

“Des Rails sur la Prairie”, foi a primeira aventura com o seu argumento, embora a sua autoria só fosse assumida mais de 6 aventuras depois . Foi responsável pelos argumentos de mais de 40 títulos da série, e pela criação de algumas das mais icónicas personagens da série com Calamity Jane  e os Primos Dalton. A ele também se deve a célebre frase do herói da série, “o homem que dispara mais rápido que a sua própria sombra”.

Em 1952 começou a colaborar com Uderzo  na série Jehan Pistolet e Luc Junior. Em 1955 escreve e desenha a  “Le capitaine Bibodou” para o efémero semanário “Risque-Tout”, editado pela Dupuis, com a intenção de lançar novos autores a integrar no futuro na revista Spirou. Em 1956 cria outra das suas  séries de marca, “Le Petit Nicolas”, desenhada por Sempé para a revita Le Moustique.  Colabora esporadicamente com Jijé, em 1956, na série Jerry Spring, no episódio “L’or du vieux Lender”.

Em 1956 entra para a revista TinTin, sendo responsável pelos argumentos de várias séries e histórias, entre elas o “Senhor Spaghetti” de Dino Attanasio, Monsieur Tric, com Bob De Moor, Prudence Petipas, com Maurice Maréchal, Modeste e Pompom de Franquin, num episódio de Chick Bill, com Tibet, Le Pére La Houl, com Macherot, Srampontin com Berck e, com Uderzo, criando a série Humpá-pá, que vai ser uma espécie de ensaio geral de Astérix.

Nesse momento de grande criatividade, colabora em revistas como Paris-Flirt (com Will). Jour de France (com Coce) e com Godard, na revista de BD francesa, ligada ao Partido Comunista,  Vaillant, antecessora da revista PIF.

Juntamente com Uderzo e outros jovens autores, lança-se em 1959 na aventura da criação de revista francesa Pilote,  para a qual criam Ásterix, que inicia a sua longa vida na 1ª edição dessa revista editada em 29 de Outubro de 1959.

Nessa revista, que vai colocar a BD num novo patamar qualitativo, retoma antigas personagens como Pistolin (1959), Le Petit Nicolas (1959) e Johan Soupolet (1960).

Quando se torna chefe de redacção da revista, lança uma nova e criativa geração de autores, colaborando como argumentista com alguns deles, como Martial em “Les Divagations de Monsieur Sait-Tout”, em 1961, Gotlib em Les Dingodossiers, em 1965, ou Mic Delinx em La Forêt de Chênebrau, em 1966. Uma das grandes novidades e conquistas que conseguiu para o prestígio da revista foi ter “roubado” à revista Spirou a série Lukcky Luke que desenvolvia há mais de uma década nesse semanário belga em coautoria com Morris. A primeira aventura de Lucky Luke publicada nas páginas de Pilote, em 4 de Abril de 1968, foi “Dalton City”.

Continua a colaborar noutras séries publicadas noutras revistas como no argumento do Califa Haroum et Poussaha, desenhado por Jean Tabary, para o mensário Record, série esta que tem o célebre Vizir Iznogoud como personagem icónica.

Contestado por vários jovens autores na sequência do Maio de 1968, e depois de uma saída em massa de vários deles para fundarem outras revistas icónica das BD francesa, como Charlie Hebdo, L’Echo des Savannes ou Fluide Glacial, acabou por sair da revista, dedicando-se ao cinema de animação e à série Ásterix, criando o Estúdio Idéfix, contribuindo para relançar a animação francesa, ao mesmo tempo que lança, com Uderzo a sua própria casa editorial

Na sequência de uma prova de esforço, recomendada pelo seu cardiologista, acaba por morrer de ataque cardíaco em 5 de Novembro de 1977, aos 51 anos, tendo deixado pronto o argumento para mais uma aventura de Asterix, “Astérix entre os Belgas”, que só foi publicada em 1979, a última aventura do irredutível gaulês, num total de 24, que contou com o seu argumento.

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